quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um manifesto improvável

“Não podemos assistir impávidos à escalada da anarquia financeira internacional e ao desmantelamento dos estados que colocam em causa a sobrevivência da União Europeia”, lê-se numa espécie de manifesto alegadamente dirigido “à mobilização dos cidadãos de esquerda que se revêem na justiça social e no aprofundamento democrático como forma de combater a crise”. Não poderia estar mais de acordo. Contudo, olhando para os 9 signatários, constatamos que este seria um manifesto improvável caso o PS estivesse no Governo a fazer precisamente o mesmo que desperta tão tremendo activismo. Ainda no início de Abril, dois meses e três dias antes das eleições, o activista Mário Soares, na ocasião em manifesto individual, convidava os portugueses a não terem medo do FMI. O problema talvez não seja tanto a anarquia financeira que o PS-poder sempre teve tanta dificuldade em questionar e o desmantelamento do edifício social europeu, no qual se inscreve o português, e sim a chatice de não ter o maço na mão para ver a maçonaria mais chegada a fazer uma demolição “de esquerda”. É duro estar na oposição. Estar na abstenção, então, é um quebra-cabeças.


(editado)

2 comentários:

joshua disse...

Bravo, Filipe. O PS muda de 'sexo' sempre que lhe acontece ser Poder: é macho de Esquerda, na Oposição. E fêmea de Direita, no Governo.

Casa europeia assaltada, é tarde para usar o malho de "esquerda".

Filipe Tourais disse...

E agora nem estão na oposição, estão na abstenção.