sábado, 12 de novembro de 2011

À sombra do arco


Entre outras, várias, explicações que não convenceram, o Governo justificou o corte salarial no Estado com um estudo do Banco de Portugal que estima que os funcionários públicos ganham, em média, mais 15% que os trabalhadores no sector privado, já levando em consideração o nível de formação médio e as funções desempenhadas. É verdade? É. Mas o trabalho do Banco de Portugal não cauciona de forma alguma (este tipo de) corte salarial. Porquê? Porque a a distribuição salarial no Estado é muito heterogénea: com as reduções salariais de 2011 e 2012 os licenciados em Economia, por exemplo, ficarão a ganhar, em média, menos 50% no Estado do que no sector privado. Os juristas idem. Isto porque algumas das profissões centrais para a boa condução da Administração Pública (dirigentes incluídos) experimentavam, ainda antes dos cortes, prémios salariais negativos face ao sector privado que ultrapassam os 20%. (daqui) Acresce referir que, em vez de rentabilizar os técnicos que tem ao seu serviço no sector público, como se vê bastante pior pagos que no sector privado, é a este último que o Governo continua a recorrer, pondo os contribuintes a pagar avultados honorários a empresas de consultoria e escritórios de advogados que vivem à sombra deste poder político do chamado “arco”. Arco do enriquecimento e da pouca vergonha.

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