sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Publicidade: o que é privado é que é bommmmmm (dling)

O antigo Hospital de Cascais está desactivado desde Fevereiro de 2010, após ter sido substituído por um novo, mas não só continua a ter um conselho de administração de dois elementos no activo, como ficou com 16 médicos e técnicos de diagnóstico e terapêutica que o grupo privado que o substituiu não quis e que continuaram a ser remunerados sem exercerem funções.


Como é que se permite uma negociação destas, em que o “parceiro” privado tem a prerrogativa de impor a sua vontade, não demonstra que há negócios que se fazem porque sim, porque a missão de quem negoceia do lado do Estado não é a de defender o melhor possível o interesse público e sim o de proporcionar lucros à outra parte. Como é que, a seguir, este pessoal não foi reafectado a unidades de Saúde onde são necessários também não é sinal da incompetência de quem não fez o seu trabalho e, como tal, haveria que ser responsabilizado. Pelo contrário, a notícia serve para o “estão a ver como há que transferir a Saúde para o sector privado o mais depressa possível?”


E nada a ver com a aventura EPE, que revelou como a gestão dita “empresarial” se revelou um descalabro quer ao nível da qualidade dos serviços prestados, que pioraram drasticamente, quer ao nível dos resultados financeiros, com os hospitais EPE, aos quais não se aplicam as regras apertadas nas aquisições de bens e serviços que são imperativos legais no sector público administrativo, a contrastarem com os deste último e a mostrarem como se apodrece um serviço público para pô-lo mesmo a pedir um negócio, com a vantagem adicional de produzir notícias choque facilitadoras do negócio seguinte.


Quem ganha e quem perde? Aconteça o que acontecer, o veredicto é: o privado é que é bom. E a realidade pode zangar-se à vontade.

1 comentário:

Maria João Brito de Sousa disse...

Já conhecia mas foi bom relembrar. E tem toda a razão. A realidade está tramada!