segunda-feira, 7 de novembro de 2011

A próxima vítima, antes da seguinte


Enquanto Berlusconi e os amigos da imprensa se divertem com o jogo do mentido e do desmentido da sua demissão, os juros da dívida italiana batem recordes nos mercados secundários e aproximam-se dos tais 7 por cento que, depois de transpostos, escancararam as portas da Grécia, Irlanda e Portugal à imposição da agenda política de austeridade selectiva e desmantelamento de serviços públicos. A imprensa de mercado diz que o “foco da crise é a Itália”. Nada que ver, portanto, com o Tratado de Lisboa que, na mesma imprensa, se leu afastaria a Europa de qualquer sobressalto.


Esta verdade oficial não é a versão oferecida no vídeo junto. Sem um Orçamento europeu digno desse nome, a Europa abdicou da política orçamental como instrumento de política económica. Restava-lhe a política monetária, mas também deu mais jeito a muita gente abdicar dela e pô-la ao serviço dos lucros do sector financeiro. Sobrou a boa vontade e o moralismo de Merkel e Sarkozi. E o sentido de Estado e responsabilidadezinha patriótica dos seus serviçais.

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