sábado, 5 de novembro de 2011

Para delírio dos populismos mais inteligentes

Era o único candidato no boletim de voto e perdeu”. Este é o título de uma notícia que nos conta a história de umas eleições autárquicas num país tão parecido com o nosso como a Colômbia, onde há candidatos excluídos através de artimanhas como a anulação das assinaturas necessárias à formalização de candidaturas e onde os votos brancos foram a forma que a maioria dos eleitores tiveram de expressar o apoio que também manifestariam, e também utilizando o poder do voto, a uma candidata caso esta não tivesse sido arredada por um método fraudulento.


A notícia fará as delícias de um populismo que se observa crescente e que, ao lê-la, dispara imediatamente a sentença “ora aqui está uma forma inovadora” saberão lá eles do quê. À luz da legislação e do sistema eleitoral português, porque nunca ficam cadeiras vazias na AR ou nas assembleias dos órgãos autárquicos, o que se descobre numa avalanche de votos brancos é uma forma, não questiono se inovadora ou não, de ficar na mesma. Contudo, a probabilidade de que tal facto não seja o mais relevante para quem assim pensa é grande.


O mais importante será dizer umas coisas e, sobretudo, ser inovador sem avaliar o preço a pagar pelo que conseguem através da sua sucessão de bravatas inteligentes. O certo é que, enquanto se vão entretendo com causas estridentes, da mesma forma que a apologia da abstenção é a garantia de um sono tranquilo, o “arco governativo” agradece-lhes mais este serviço prestado à nobre causa da sua perpetuação no poder.


E termino com um detalhe importante, a não negligenciar por nenhuma das variantes de activismo inconsequente: no episódio "inovador", afinal inspirado em Saramago, os votos brancos apenas retardarão a eleição mais do que garantida na segunda volta do candidato tornado único à margem da lei. Partindo do conhecimento do seu sistema eleitoral, aqueles colombianos e colombianas fizeram o que lhes competia e estava ao seu alcance para manifestarem o seu repúdio por uma fraude. Venderam cara a derrota. Mas vender cara uma derrota é bem diferente de ganhar. É perder.


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