sábado, 5 de novembro de 2011

Os gigantes continuam a ganhar-nos tempo


Não foi apenas o Ministro dos Negócios Estrangeiros italiano que propôs uma reedição do Plano Marshall para os países árabes. Sarkozi também andou entusiasmado com a ideia que dominou uma cimeira do G8, em finais de Maio passado. Mas apenas para os países árabes. Os países europeus não precisam de crescimento e de emprego. Arrogância, fanatismo ideológico ou o embaraço de ser obrigado a admitir que andam a defender o oposto daquilo que serviria para sair da crise e que, como então, défices orçamentais de dois dígitos têm uma eficácia na prossecução daqueles dois objectivos que a austeridade nunca teve e nunca terá não serão as únicas explicações para que a proposta de um novo Plano Marshall para a Europa esteja fora da cogitação mais remota. É por demais evidente que, sem crescimento e com desemprego e miséria, é muito mais fácil impor a reengenharia social em curso que mais favorece a concentração de riqueza e a maximização das assimetrias. Andamos de cimeira histórica em cimeira histórica, sem decisões que se vejam. Ontem, tivemos mais uma, esta do G20. Até que sejam derrubados em eleições e enquanto a resignação o for permitindo, vão ganhando tempo e transformando as sociedades à medida do poder económico que os tem manietados.

Churchill, Roosevelt e De Gaulle deixaram a sua marca na História. Merkel, Obama, Sarkozi, Barroso, Berlusconi e seus pajens apostam em deixar a sua mancha. Uma mancha terrível, que demorará décadas a limpar. Não, não são anões. Só os gigantes deixam pegadas tão indeléveis..



Sobre o Plano Marshall, ler mais aqui.

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