domingo, 27 de novembro de 2011

Por falar em auditoria


Oito anos e milhares de páginas depois de o Ministério Público (MP) junto do Tribunal de Contas (TC) ter acusado 26 ex-responsáveis da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo de terem feito, entre 1996 e 2001, pagamentos indevidos à sociedade gestora do Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), o juiz-conselheiro Carlos Morais Antunes ainda não decidiu se os leva ou não a julgamento. Em causa está o contrato que o Estado assinou com o Grupo Mello em 1995 (Cavaco Silva), para a gestão do hospital, a primeira parceria público-privada na saúde em Portugal, que recebeu o visto prévio do TC "sem documentos essenciais" e que, como admitiu em 2003 o então presidente daquele tribunal e actual provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, não deveria sequer ter sido visado. O Estado continua à espera de 60 milhões de euros. Não percebo tanta estranheza. Ver a Justiça a engavetar processos que envolvam gente ilustre com fortes ligações ao poder político tornou-se a norma, tal como as parcerias público-privadas que, apesar de ruinosas quer do ponto de vista gestionário, quer do da qualidade dos serviços prestados, por serem o modelo perfeito do actual e dos anteriores governos, são a norma que querem para a Saúde nos tempos mais próximos. E, pelo menos até que se faça a tal auditoria à dívida que traga à luz do dia o nome de todos os tentáculos deste polvo que andou a engordar acima das nossas possibilidades, a norma será andarmos assim, de suspeição em suspeição, a engordá-lo mais e mais. Estamos todos às ordens do polvo..

1 comentário:

Maria João Brito de Sousa disse...

Gostei muito de ver este espírito de unidade na procura da solução. Temos andado a olhar para um muro sabendo que a verdade está algures, por detrás dele.