quarta-feira, 16 de novembro de 2011

No pasa nada

1. Depois dos resgates à Grécia, Portugal e Irlanda e do crescente receio de que a Itália e a Espanha sigam o mesmo caminho, o efeito de contágio também voltou a perturbar a França e a Bélgica e está mesmo a ameaçar economias até agora intocáveis, como a Áustria e a Holanda. (…) A segunda maior economia europeia, a França, viu ontem disparar os preços dos credit default swaps (seguros contra o risco de incumprimento) e o spread da sua dívida face à alemã atingiu o valor mais alto desde a criação da zona euro.


2. A viagem que todos pagámos foi em vão. Cavaco Silva não conseguiu convencê-lo do contrário. O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, manifestou-se hoje “profundamente preocupado” com a turbulência na zona euro, que continua nas mãos dos mercados e sofre de um crescimento anémico. O líder dos EUA antevê que a agitação nos mercados vá continuar até que haja uma solução concreta. Um BCE com funções de banco central, um orçamento europeu digno desse nome e uma harmonização fiscal em toda a UE seriam bem-vindos..


3. Segundo as estimativas que o economista Carsten Brzeski, do banco ING, na Bélgica, fez para o site euobserver.com, a Alemanha terá lucrado 9.000 milhões de euros com a crise das dívidas soberanas, que a par da subida das taxas de juro dos países mais endividados levou à descida das taxas de juro alemãs. (…) O site fr.myeurop.info sublinha que, nomeadamente desde maio passado, nos mercados das dívidas soberanas, está a funcionar uma espécie de fenómeno de “vasos comunicantes”: à medida que os “investidores” fogem da dívida grega e italiana (e, em certa medida da francesa) “compram massivamente” dívida alemã, levando à descida da taxa de juro desta.


4. Segundo o INE, a taxa de desemprego em Portugal subiu para o novo máximo de sempre de 12,4% da população activa no terceiro trimestre, elevando para quase 700 mil o número oficial de desempregados. Segundo a OCDE, a taxa de desemprego é ainda maior, 12,5 por cento. Portugal mantém-se assim com a quarta taxa de desemprego mais elevada da OCDE, apenas ultrapassada por Espanha (22,6 por cento), Irlanda (14,2 por cento) e Eslováquia (13,5 por cento). A organização não tem dados disponíveis para a Grécia que, em Julho, estava com uma taxa de desemprego de 17,6%. Em Setembro, a média nos 34 países da OCDE foi de 8,2 por cento (manteve) e de 10,2 por cento na zona euro (cresceu 0,1 e igualou o record de Junho).

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