terça-feira, 1 de novembro de 2011

Mistérios da Justiça portuguesa (continuação da continuação)

Um juiz brasileiro acaba de decretar a prisão preventiva de Duarte Lima, na sequência da acusação que resultou de uma investigação criminal na qual tanto o ex-deputado e líder parlamentar do PSD como a própria Justiça portuguesa fizeram questão em não colaborar. À Justiça o que é da Justiça e evidentemente que não nos caberá a nós, cidadãos, a tarefa de julgar ou sentenciar quem quer que seja. Porém, pelo menos a este cidadão que não aceita a mera autoridade como argumento que torna inerte qualquer capacidade crítica, entra-me pelos olhos dentro o desinteresse da Justiça portuguesa por um caso que, embora tenha ocorrido fora do território nacional, envolve o homicídio de uma cidadã tão portuguesa como eu. E apurar que poder oculto terá ditado tal silêncio parece-me, por si só, motivo mais do que suficiente para um inquérito que seja capaz de afastar o indício que fica no ar ou de que existe uma máfia que controla a Justiça ou – e não é nada melhor – de que a gente da Justiça se instalou numa súmula de bons salários e outras prebendas e não quer saber de confusões com o pessoal da política, que bem pode zangar-se e cortar-lhes a dose mensal de bem-estar. Quem são os profissionais da gaveta? Não vou repetir o que escrevi há um par de semanas, nas constato que a democracia torna a esbarrar na questão.

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