sábado, 26 de novembro de 2011

Luxos de um Estado que pede esmola

A Associação Ateísta Portuguesa escreveu uma carta aberta ao Primeiro-ministro a solicitar o fim do tratamento de privilégio em sede fiscal que isenta a Igreja Católica do pagamento de IMI e de imposto sobre os rendimentos. As instituições de ensino superior estão a começar a explorar como alternativa aos cortes do financiamento público campanhas de angariação de fundos junto de alunos e ex-alunos desenvolvidas de forma profissionalizada por gabinetes especializados no estreitamento da relação com “potenciais interessados”, de forma a «explorar o sentimento de "gratidão" com a universidade em que se formaram». A Universidade Católica, embora não sendo pública, recebe um generoso financiamento estatal. E PS e Governo estão a estudar “fórmulas para aliviar cortes salariais” que não passam pelo englobamento dos rendimentos de propriedade e de capital em sede de IRS que poria os mais ricos, não a pagar a crise, a pagar tanto como quem vive exclusivamente dos rendimentos do seu trabalho.


Resumindo: um Estado que já pede esmola dá-se ao luxo de subsidiar e isentar os mais ricos e não hesita em sobrecarregar os que menos podem. Sublinhe-se que este absurdo não é apenas uma mera injustiça: a tributação dos que mais podem tem um efeito multiplicador recessivo (via consumo) quase nulo, ao passo que o agravamento fiscal sobre as famílias tem um efeito multiplicador recessivo enorme. Nada disto foi encomendado pela troika externa. Essa desculpa não vale para justificar a austeridade selectiva que é uma opção da responsabilidade exclusiva da troika nacional que nos espreme. Temos duas a fazê-lo. Voto útil, lembram-se? A utilidade desfrutada por aqueles que desempenham o papel de cantar o refrão que diz vivermos acima dos seus intocáveis enriquecimentos. Somos e seremos sempre o país que quisermos ser.

Sem comentários: