segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Espanha: mudar as moscas para manter a austeridade

Quando se torna imperceptível quem ganha e quem perde caso determinada força partidária vença umas eleições e uma ou várias outras as venham a perder, as mesmas transformam-se em pouco mais do que um mero pró-forma tornado obrigatório pela democracia respectiva. Foi o que aconteceu nas eleições espanholas de ontem. Na campanha oferecia-se austeridade ou austeridade e, como não será difícil de imaginar, naturalmente, venceu a austeridade.


A democracia espanhola é apenas mais um exemplo onde o maior partido de esquerda se prostituiu ao liberalismo e, ao fazê-lo, tornando-se uma imitação com o sabor a fraude que tem tudo o que não é genuíno, foi justamente condenado nas urnas a quatro anos fora do poder – recuso-me a utilizar a palavra “oposição” - a encher balões com a violência de discursos vazios.


O resto do esvaziamento democrático espanhol encontramo-lo num sistema eleitoral e numa comunicação social que, bastante mais do que os nossos, acentuam o seu bipartidarismo crónico ao qual, ainda assim, conseguiram escapar o CIU (nacionalistas catalães), com 21 mandatos e uma Esquerda Unida a festejar a subida vertiginosa dentro da insignificância, de 2 para 11 mandatos, a tornar-se a quarta força partidária, apesar de ter obtido cerca de 1 milhão e 700 mil votos, quase o dobro dos votos conseguidos pelo terceiro em mandatos.


Desta forma, o resto do desmantelamento social e económico de Espanha iniciado pelo PSOE está agora nas mãos de um PP com maioria absoluta na Câmara baixa, não obstante não ter obtido mais de metade do total de votos. Supostamente, o resultado acalmaria os mercados. Os espanhóis que deram o seu voto ao PP com base nesse pressuposto que lhes foi buzinado durante toda a campanha eleitoral acordaram com os juros da dívida espanhola a bater no número mágico que anuncia a chegada da troika: o regente do próximo protectorado FMI “pelo menos” não será do PSOE.

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