terça-feira, 15 de novembro de 2011

A educação do meu nariz

É uma história que se conta em poucas linhas. Em Outubro de 2010, num daqueles artigos feitos à medida, na revista Visão lia-se que, com o acordo assinado nesse ano entre a ministra Isabel Alçada e os sindicatos, os professores "conseguiram um sistema para progressão na carreira mais favorável". Paulo Guinote, no A Educação do meu Umbigo, procurou mostrar como o artigo distorcia os números, qualificando o texto como "enorme bosta jornalística". O primeiro, Paulo Chitas, não gostou que se referissem nesses termos à sua obra-prima e moveu um processo judicial contra o dono daquele nariz que assim a cheirou por difamação agravada, pedindo uma indemnização nunca inferior a dez mil euros. E, apesar de o acordo em causa ter sido assinado por Isabel Alçada, foi a sua antecessora, Maria de Lurdes Rodrigues, quem foi arrolada como testemunha pelo jornalista. Para dizer o quê, é onde reside agora o mistério, já que todas as críticas que o Paulo Guinote lhe dirigiu durante todo o seu reinado são aqui irrelevantes. Talvez que o texto da polémica cheirava a rosas. E, ainda que cheirasse mesmo, ou que cheirasse a bosta, ou que cheirasse a loa, ou que cheirasse a desforra , ou ao que fosse, os narizes ainda gozam de liberdade para não serem obrigados a cheirar todos o mesmo. Não conheço o processo em detalhe, mas a educação do meu nariz estranha muito que o Ministério Público tenha acompanhado a acusação particular num processo como este, que apenas tem o cheiro a direito de opinião. O Paulo Guinote que não se esqueça de pôr a mola no dispositivo olfativo quando chegue a hora de entrar na perfumaria. Força nisso, Paulo.

2 comentários:

Paulo G. disse...

E o burro sou eu?
Abraço.

Filipe Tourais disse...

Outro. E não, não, o Paulo é o da mola,não se safa de tê-la a apertar esse nariz hehehe