quinta-feira, 3 de novembro de 2011

E nós? Estamos à espera de quê?

Os gregos descobriram tarde demais que já não têm muito a perder. Vão referendar quantos estão dispostos a continuar a suportar uma austeridade que os conduziu e vai continuar a conduzir a uma espiral de recessão e de endividamento. Portugal ainda não está na situação da Grécia, mas a austeridade é a mesma, o resultado apenas irá ser diferente no tempo que demorará a sermos confrontados com também não termos nada a perder. Por que não exigirmos um referendo em Portugal nos mesmos moldes daquele que acontecerá na Grécia no próximo dia 4 de Dezembro? Isolar a Grécia não nos ajuda em nada. Pelo contrário, estamos no mesmo barco, apenas um pouco mais longe da linha de água, e seria importante juntar esforços no sentido de obrigar o directório europeu a uma inflexão na irresponsabilidade que conduziu a Europa a uma encruzilhada que não serve a ninguém. Estamos à espera de quê?

3 comentários:

one hundred trillion dollars disse...

Do 25 de Novembro?

Do escudo?

Do 26 de Maio?

Da inflação a 50%?

da falta de arroz nas lojas?

da cesta de carcaças a 15 tostões que se esvaziava em 5 minutos e alguns revendiam por 2 e quinhentos
5 minutos depois?

pelos açambarcadores?

Pois não sei bem pelo quê?

Mas a Maria Teresa Palácios e os outros 350 professores e técnicos superiores que vieram da Argentina
nos últimos 20 anos ainda não voltaram para lá...

apesar de terem reformas que vão até aos 5000 euros por cá...

devem gostar do clima...

cá por mim tanto faz...segue-se para a europa
os 3 milhões de desgraçados que ficam para trás esses ....que se lixem ...são baixas aceitáveis

Filipe Tourais disse...

Exactamente. A ideia é precisamente a de evitar que sejamos empurrados para a situação da Grécia e depois para fora do euro. Ou pensa que a nossa austeridade é melhor que a deles? Que porque "nos portamos bem" vai resultar?

Anónimo disse...

Em artigo no Financial Times, o economista Paul De Grauwe assinala o óbvio: só o BCE, graças à sua capacidade de emitir moeda, pode ajudar a superar a contagiosa crise sistémica do euro, resultado da redução institucional dos Estados a famílias, agindo como seu credor de última instância, financiando-os, tal como faz com os bancos.

A zona euro não tinha de se esfarelar assim. Atentem no Japão: um país com uma dívida pública sem precedentes, que representa 227% do seu PIB, consequência da oscilação, que dura há mais de uma década, entre recessão e estagnação, depois do rebentamento de uma bolha imobiliária causada pela liberalização do sistema financeiro. Apesar dessa dívida, o Japão não tem problemas de financiamento, porque tem um banco central que faz o que é tão necessário como escandalosamente simples: detém metade da dívida pública do país, imprimindo moeda para a adquirir e devolvendo os juros ao governo. Os países verdadeiramente soberanos podem fazer coisas semelhantes: do Canadá ao Reino Unido, passando pelos EUA.

O horror da inflação! Já ouço os gritos dos economistas que vivem numa bolha académica feita de agentes omniscientes e de mercados auto-regulados. Onde está a inflação no Japão? Onde? Na Europa ou no Japão, aliás, o problema é a deflação e os seus efeitos perversos: aumento do fardo real da dívida e destruição da capacidade produtiva. As transferências financeiras para os Estados europeus com problemas, por outro lado, são escandalosamente pequenas para uma região que partilha a mesma moeda. A tragédia da zona euro é que, graças aos tratados bizarros, inspirados nos ainda mais bizarros modelos económicos, o BCE só pode salvar o euro se agir na linha do teórico protofascista alemão Carl Schmitt: soberano é aquele que define a excepção à regra.

Sem poderem imprimir moeda e sem o mecanismo de desvalorização cambial, numa União que parece um FMI na América Latina, resta às periferias europeias usarem uma das armas dos fracos…