sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Dois elogios

Dado a tipologia de notícias em causa ter um prazo de validade reduzido e ser utilizada sobretudo para incendiar aquela parcela de opinião pública mais permeável à sacrificologia salazarenga, já poucos se lembrarão da notícia que pintou todas as manchetes do início do ano, quando o Governo regional açoriano se negou a aplicar os cortes salariais aprovados pelo Governo da República, por sinal do mesmo partido, à procura comandada pelos salários dos funcionários da Administração Pública dos Açores. Aproveito a notícia de mais uma boa iniciativa legislativa, um novo Estatuto do aluno para a região, que efectiva a obrigatoriedade do ensino através da responsabilização dos pais aplicando multas àqueles que permitam faltas e indisciplina aos seus filhos e a suspensão de apoios sociais aos que não as paguem, para constatar a boa gestão que permitiu chegar ao final do ano sem a calamidade orçamental que, quando a notícia do não corte explodiu, os mais obedientes se apressaram a vaticinar. Se calhar, o problema até está nos salários dos funcionários públicos, mas não pelos motivos alardeados. Nos Açores, o comércio não fecha como no Continente e a preservação da actividade económica ajuda no objectivo orçamental. Este resultado, tal como a orientação política que originou, não se encaixa no paradigma oficial de virtude. O elogio, naturalmente, não cabe nas páginas da imprensa panfletária.

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