quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A democracia é uma chatice

Onde é que tínhamos ficado? Na apregoada solução “palpável saída da última cimeira histórica e nas bolsas que disparavam entusiasmadas, indiferentes aos problemas das pessoas. Nos dias seguintes, a euforia foi recrudescendo. Até que o inesperado aconteceu. A democracia, essa variável exógena ao processo de decisão europeu, deu finalmente sinais de si: o Governo de George Papandreou , encurralado pela contestação social que tem acentuado o clima de guerra civil em toda a Grécia, com a economia do país em cacos e já sem nada a perder, decidiu referendar nova dose daquilo a que o directório achou por bem que se chamaria “ajuda externa” e que, por experiência própria, os gregos sabem perfeitamente que sempre significa novo apertão, cada vez mais para lá do insuportável.


Agora, independentemente de qual venha a ser o resultado da contagem de vontades dos gregos, se é que alguma vez ocorrerá, as contas que há a fazer incluem também o que a restante Europa moralista tem a perder se a Grécia falir. Pode ser que a variável pessoas comece também a pesar nas decisões. E pode ser que os portugueses se dêem conta do quanto vale a pena lutar. O trilho da austeridade já sabemos onde termina e as vidas das pessoas, por cá, também têm que voltar a contar. A democracia é uma chatice? Já se vê, para a acumulação de riqueza, para o neoliberalismo iluminado e para o seu séquito de comentadeiros é-o, realmente. O resultado está à vista.

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