quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Chamaram-lhe "descentralização" e o caciquismo agradeceu

Formalmente, trata-se apenas de um "alerta", mas os termos utilizados pela Provedoria da Justiça (PJ) em relação à escolha dos professores contratados pelas direcções das escolas são duros. Em ofício enviado ao Ministério da Educação e Ciência (MEC), a provedoria defende a necessidade de "pôr cobro às práticas ilegais em matéria de contratação de escola" e sublinha que, nalguns casos, aquelas se traduzem na "violação de princípios estruturantes da actividade administrativa" e na "ofensa de direitos fundamentais". O problema não é novo: desde 2007 que alimenta denúncias nos blogues de Educação, bem como os protestos dos sindicatos. Em causa está o facto de, nas "ofertas de escola" para professores contratados, nem todas as direcções de escola fixarem "critérios de selecção objectivos", como é sua competência, frisa a PJ.


Sócrates criou o sistema que, dizia a propaganda, melhor combatia alegados "poderosos interesses corporativos" que detectou na classe docente. Passos gostou tanto que manteve os poderes de senhores directores eleitos maioritariamente pelas cacicagens locais e apenas minoritariamente pelos seus pares. Como seria de esperar, estes seguram-se no poder com jobs for the boys and girls e um palavreado sobre as exigências pedagógicas decorrentes de - expressão a ter na ponta da língua - "especificidades locais". Chamaram-lhe “descentralização”. O caciquismo agradeceu. E perdemos todos.

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