quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Aulas práticas sobre voto útil (e sobre abstenção)

Quando penso nos muitos e muitas que se prontificaram a aderir à desmobilização montada para que o Bloco – e não apenas o Bloco – tivesse um mau resultado eleitoral, vem-me à memória a pergunta: se o Bloco tivesse acedido a participar naquela encenação a que chamaram de "negociações com a troika", estaríamos melhor agora? E respondo: se tivessem recusado o veneno, claro que estaríamos. Tanto melhor quantas as vozes que elegessem e tanta falta fazem no palco principal da luta, a AR. Na sua vez, elegeram ou deixaram que outros elegessem para lá outras vozes, as vozes daqueles que andam sempre com os joelhos sujos de tanto se ajoelharem aos caprichos dos ocupantes externos e com as biqueiras esmurradas com o desespero daqueles que, a pretexto de uma interpretação livre de patriotismo, fazem gala em espezinhar.


Hoje, a troika diz que quer que as empresas reduzam os salários dos trabalhadores portugueses do sector privado, à semelhança dos cortes feitos nos salários dos trabalhadores da função pública. Fazem-no porque o Bloco e o PCP se negaram a participar naquela palhaçada? Não, fazem-no porque estão mais do que à vontade para exigirem obediência a um Parlamento maioritariamente obediente. O Parlamento dos ajoelhados e das biqueiras que a inconsciência deixou eleger. Fazem-no pela falta de votos que o veneno e o medo de mudar de vida engoliram. Aguentem-se, agora. E nós, também, que isto está só a começar.

4 comentários:

Maria João Brito de Sousa disse...

Ouvi... mas alguns estarão a babar-se porque a mamã troika disse que se portaram bem. É aqui que me renascem as raízes cristãs e os vou perdoando. Não à toika, não às troikas! A "eles" porque não sabem o que fazem.

Filipe Tourais disse...

É, quem não dá para mais... haja quem reze para que aprendam.

Anónimo disse...

Volker Kauder, líder parlamentar do partido de Angela Merkel dizia eufórico no congresso da CDU: "A Europa está a falar alemão, não a língua, mas a aceitação das políticas pelas quais Angela Merkel lutou durante tanto tempo e com tanto sucesso". Pois está. Em Itália e na Grécia até já se dispensam eleições: a Goldman Sachs e a banca já tem os seus "técnicos" no poder. Sou só eu que acho que o século XX já viu este filme e não acabou nada bem?

Nan disse...

Eu acho o mesmo, mas ninguém nos ouve...