segunda-feira, 28 de novembro de 2011

As revoluções também se fazem com votos (continuação)


O tal país que mandou o FMI às malvas, prendeu os banqueiros delinquentes, promoveu a reforma antecipada da parcela da sua classe política que se dispunha a vender o seu povo à agenda neoliberal e colocou os credores à espera. A Islândia, lembram-se? De acordo com estimativas do próprio Fundo Monetário Internacional (FMI), a Islândia vai fechar 2011 com um crescimento do PIB de 2,5%, prevendo-se novo crescimento de 2,5% para 2012 – números que representam quase o triplo do crescimento económico de todos os Estados-membros da União Europeia – que em 2011 ficarão pelos 1,6% e que descerão para os 1,1% em 2012. A taxa de desemprego no país vai ainda descer para os 6%, contra os actuais 9,9% da zona euro, que vai coleccionando novas vítimas da agenda de retrocesso civilizacional à medida que o tempo passa e uma solução é retardada o mais possível para que o neoliberalismo tenha tempo para impor as suas leis. Números a ter na ponta da língua para quando se ouvir falar em novos cortes salariais, retirada de direitos sociais e laborais, desorçamentação de serviços públicos, aumento do horário semanal de trabalho, supressão de feriados e todos os demais “sacrifícios necessários” que a imaginação deles se lembrar de alvitrar. Outro caminho é possível e bastante mais eficaz, eles é que não estão nada interessados em perder a oportunidade de reconfigurar as sociedades europeias alinhando-as ao modelo de escravização asiático. Os islandeses arriscaram e disseram NÃO. Já estão a colher os frutos.

2 comentários:

Gi disse...

Pois eu também me tenho lembrado da Islândia e perguntado como têm vivido os islandeses desde que declararam bancarrota. Tenho mesmo andado à procura de blogues islandeses (em inglês, por favor) mas não é fácil.

Anónimo disse...

As ameaças foram muitas, a chantagem foi brutal. Mas não atemorizou os islandeses, que rejeitaram mais uma vez em referendo que o Estado pagasse a dívida de cerca de quatro mil milhões de euros à Holanda e ao Reino Unido. Lead: As ameaças foram muitas, a chantagem foi brutal. Mas não atemorizou os islandeses, que rejeitaram mais uma vez em referendo que o Estado pagasse a dívida de cerca de quatro mil milhões de euros à Holanda e ao Reino Unido.

Em 9 de abril, os islandeses votaram, pela segunda vez, em referendo, que o Estado não devia pagar a dívida de cerca de quatro mil milhões de euros à Holanda e ao Reino Unido. O "não" ganhou com quase 59,7%, tendo o “sim” obtido 40,2%.

Desta forma, os islandeses decidiram que não queriam que dos seus bolsos saísse uma parte significativa do valor total das indemnizações que o governo da Islândia se comprometeu a pagar a Londres e a Haia.

O referendo foi convocado pelo presidente da Islândia, Ólafujr Ragnar Grímsson, que a 20 de fevereiro tinha vetado, também pela segunda vez, a lei IceSave, que fora antes aprovada pelo Parlamento.

Estavam em causa quatro mil milhões de euros depositados em 700 mil contas bancárias na Holanda e Inglaterra, no banco online islandês Icesave, que faliu. Os depósitos de estrangeiros foram reembolsados pelos respetivos governos, que os queriam cobrar a Reiquejavique.

O acordo rejeitado permitiria escalonar o pagamento da dívida até 2045, com uma taxa de juro de 3,3 por cento ao Reino Unido e de três por cento no caso da Holanda.

“Não” superou pressões e chantagem

A decisão derrotou também as violentas pressões e a chantagem que se abateu sobre o país. Houve ameaças de bloqueio das exportações islandesas, nomeadamente os produtos piscatórios; paragem da ajuda financeira do FMI; bloqueio das negociações de adesão à União Europeia. As agências de notação também se intrometeram no voto islandês. Num comunicado datado de 23 de fevereiro, a Moody’s não teve rodeios: “Se o acordo for rejeitado, desclassificaremos sem dúvida a nota da Islândia para BA1 ou menos, levando em consideração as repercussões negativas que se seguiriam para a normalização económica e financeira do país”.

Finalmente, havia a ameaça de que o Reino Unido e os Países Baixos iriam processar a Islândia em tribunal e ganhariam. Mas nenhuma destas ameaças atemorizou o povo islandês.


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