quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Vetas, não vetas? É o vetas.

Em declarações à imprensa à saída do 4º Congresso Nacional dos Economistas, que começou hoje em Lisboa, Cavaco Silva respondeu às questões dos jornalistas sobre como via a eliminação dos subsídios de férias e Natal nos próximos dois anos para funcionários públicos e pensionistas, dizendo: “Mudou o Governo mas eu não mudei de opinião.” Para Cavaco Silva, esta medida é uma “violação de um princípio básico de equidade fiscal”, ou seja, a mesma opinião que o Presidente exprimiu quando o anterior Governo socialista decidiu cortar os vencimentos da função pública entre 3,5% e 10%, este ano. “Os livros ensinam quais são os princípios básicos de equidade fiscal”, ironizou Cavaco Silva, dizendo que um corte salarial para grupos específicos é “um imposto”.


Mudou o Governo mas ele não mudou de opinião. Esta é a frase mais importante de todo o número. Da outra vez, também disse umas. Tem que fazê-lo periodicamente para que percebamos que ainda está vivo. Mas, depois, mais nada. São outra vez apenas palavras. Voltará a não vetar o Orçamento e a não fazer cumprir a Constituição, como seria seu dever. O imposto selectivo sobre os funcionários públicos não é a única inconstitucionalidade do OE 2012. Entre outras, conta-se o aumento de duas horas e meia de trabalho semanal sem aumento de remuneração e sem negociação com os sindicatos. A porta que Cavaco deixa aberta de extensão dos cortes salariais aos trabalhadores do sector privado, que merecerá o regozijo de alguns, para além de piorar ainda mais as perspectivas de crescimento económico e de aumento do desemprego no país, em nada melhora a situação dos primeiros. Justiça e generalização da injustiça são contrários.

(editado)

1 comentário:

Anónimo disse...

Os trabalhadores do privado vão ser forçados a trabalhar mais MEIA HORA por dia, sem a correspondente remuneração! O grupo Pingo Doce emprega mais de 3.000 Trabalhadores que irão oferecer ao patrão mais de 1.500 horas DIÁRIAS de trabalho GRATUITO o que equivale a mais de 200 trabalhadores à BORLA. Pode assim despedir mais de 200 trabalhadores que não se contentam em ter trabalho e que, ainda por cima, querem SALÁRIOS. Catos.