quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Pinócrates v2.0: um roubo monumental para salvar Portugal



Como acelerar a recessão e reeditar a tragédia grega? Em traje de salvador nacional, Passos Coelho compareceu à hora marcada para explicar as suas teorias ao respeito. Começou pelo roubo semanal de duas horas e meia a todos os trabalhadores do sector privado e “reajustamentos” de alguns feriados, estes roubados a todos, sem explicar o que é que ambos os roubos contribui para o equilíbrio das contas públicas.


Porém, sendo certo que, porque para trabalhar 640 horas semanais serão agora necessários, não 16, mas 15 trabalhadores, ficou claro que Passos Coelho e a sua equipa resolveram ajudar o país decretando desemprego na proporção de 1 por cada 16 postos de trabalho,um objectivo que complementaram com despedimentos mais fáceis e mais baratos,.


Não é líquido que seja assim, observarão alguns. Com toda a razão. Realmente, não seria assim se um aumento na procura, interna ou externa, tornasse necessárias mais horas de trabalho. Mas sabemos que a procura interna tem batido mínimos sucessivos e conhecemos as tendências depressivas da procura externa. Ora, os roubos anunciados a seguir traziam reforços destas tendências. As receitas de destruição de emprego e de diminuição do produto recitadas a seguir sentenciaram que, nos próximos dois anos, a procura interna deixará de contar com o correspondente ao que decidiram roubar em subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e aos pensionistas e a procura interna e externa não poderá contar com o correspondente ao agravamento de impostos que será roubado ao poder de compra de toda a população portuguesa e à competitividade da nossa oferta de turismo.


Decididamente, no século XXI, as soluções não são as mesmas que resultaram no século XX.: Na crise de 29, recorde-se, o emprego e a procura foram recuperados através de medidas como a redução do horário de trabalho, uma estratégia acertada que permitiu que mais gente tivesse um emprego e um salário. Resultou. Esta é precisamente a razão da nossa condenação a gregos. O caminho escolhido não é o do crescimento económico. O objectivo de Passos Coelho não é nem a recuperação económica, nem o emprego. É um equilíbrio das contas públicas que foge de cada vez que o produto encolhe e são "necessárias" mais medidas como as que hoje anunciou. Havê-las-á, tenhamo-lo como garantido. Antes, porém, encontramo-nos na rua. O 15 de Outubro é já no próximo Sábado. Há que resistir enquanto é tempo. As últimas eleições foram outro embuste monumental.

2 comentários:

Fernando Vasconcelos disse...

Só não concordo com a ultima frase. Não foram um embuste. A malta sabia o que fazia. E utilizo a palavra Malta não por estar a meio caminho entre Portugal e a Grécia mas porque o povo votou exactamente com a mesma consideração que escolhe o seu clube de futebol. O antigo já não ganhava troca a trocar mas por outro que ganhe de certeza. Havia alternativas - várias ... escolhemos-as? Não. Sabíamos ao íamos? Sim ... Logo ... Embuste não. No resto não posso estar mais de acordo estas medidas estão mais provadas que não funcionam veja-se a Argentina e agora a Grécia. Isto pode parecer conta de merceeiro mas é exactamente como diz. Aumenta impostos sobre uma base taxável que diminui e surpresa ... diminui a receita ...

Filipe Tourais disse...

Poderia ter sido pela quase total omissão do memorando durante toda a campanha, mas escrevi que as últimas eleições foram outro embuste na medida de exemplos como os que aparecem no video. A certeza de quem sabia que seria assim tem outra base que não as palavras de Passos Coelho e Portas e respectivas claques de comentadores.