sábado, 15 de outubro de 2011

Pedro e o medo da rua

Pedro Passos Coelho justificou hoje o corte de subsídios na função pública alegando que estes trabalhadores ganham, em média, mais 10 a 15 por cento que os do privado. Omitiu, presumo que sem querer, que, a existir, a discrepância se deve a uma outra, ao enorme fosso que existe entre a qualificação média dos trabalhadores em funções públicas e a qualificação média dos trabalhadores do sector privado. A correspondência entre maiores qualificações e um salário mais elevado é a tremenda injustiça que Passos Coelho alega para cortar em remunerações que não vão servir para financiar nem melhor Saúde, nem melhor Educação, nem qualquer outra melhoria na vida das pessoas.


Contudo, se olharmos para a edição do Expresso de hoje, percebemos imediatamente a necessidade que obrigou Passos Coelho a ajoelhar-se de forma tão esfarrapada diante do altar do ridículo: o semanário conta que a proposta inicial era a de subtrair o subsídio de férias e de Natal também aos trabalhadores do sector privado e que tal não aconteceu apenas porque três ministros advertiram para o barril de pólvora que a medida iria, sem qualquer dúvida, incendiar. Transpirou, então, uma providencial necessidade de respirar das empresas, como se a maioria dos patrões se importasse um caracol se não tivesse a chatice de pagar subsídios de férias e de Natal aos seus funcionários. Eles tiveram foi medo da rua.

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