quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Hoje, sobre os propriamente ditos

A primeira explicação governamental da razão pela qual o primeiro assalto aos subsídios de férias e o segundo roubo dos subsídios de Natal aos funcionários públicos não abranger também os trabalhadores do sector privado surgiu pela boca do próprio Passos Coelho, já depois dos primeiros cancelamentos de reservas de férias para 2012: o salário médio do público é superior ao salário médio do privado, alvitrou.


Porém, como o argumento foi rápida e facilmente rebatido com a discrepância existente entre as habilitações médias dos trabalhadores dos dois sectores, foi a vez do Ministro das Finanças aparecer em cena a insultar-nos novamente a inteligência justificando o roubo com a maior estabilidade do vínculo no sector público.


Ora, como ainda não foi publicada a reforma da legislação laboral que, com alguma certeza, consagrará a banalização do roubo da mais pequena réstia de estabilidade que ainda exista por aí, ninguém lhe fez caso e Passos Coelho viu-se novamente na necessidade de voltar a chamar os portugueses de burros justificando o inexplicável dizendo que um corte generalizado não seria visto de forma credível na Europa e que deixaria Portugal sem ajuda externa já em Novembro. Sim, sim. E os saldos orçamentais deixaram de obter-se pela diferença entre receitas e despesas.


Mas por que é que não o disse logo? Obviamente, porque não lhe ocorreu inventá-lo antes. E, como voltou a não convencer, da próxima vez que torne a tentar tomar-nos por parvos, terá agora também que explicar o que é uma medida estrutural de carácter transitório. A evidência da incapacidade de um burro mal amanhado para esconder uma inconstitucionalidade grosseira é a minha aposta. Pelos vistos, não só a minha.

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