sábado, 1 de outubro de 2011

Grande manifestação, para início de conversa


Foram duas grandes manifestações. No Porto, foram mais de 50 mil. Em Lisboa, foram mais de 130 mil. E, no final, a promessa de que hoje é apenas o início de um basta. Não podem continuar a destruir o nosso trabalho, os nossos direitos, a nossa sociedade, a nossa economia. Queremos deixar aos nossos filhos um país onde se possa viver. Por isso, foi hoje marcada uma semana de greves e paralisações entre 20 e 27 de Outubro. O Governo tem que perceber que há que inverter a rota.


Quem não parece estar muito de acordo é a jornalista do vídeo junto. Porque me incomodou, destaco o tom de sátira com que comenta toda a peça e a pergunta ao final: “poderá uma jornada de luta prejudicar ainda mais um país já de si fragilizado?” Também já lá vai o tempo em que o jornalismo era imparcial e confrontava o poder político com os seus abusos. A senhora e o poder que representa seguramente teriam ficado bem mais contentes se os quase 200 mil que hoje saíram à rua tivessem ficado quietinhos em casa à espera que o “azar” lhes batesse à porta, a assistir ao apodrecimento do país em directo pela SIC Notícias. Todos os dias nos confrontamos com esta nova realidade de uma comunicação social que é uma das armas mais poderosas de domesticação do regime que nos está a sugar o sangue e a alma.

4 comentários:

Nuno Miranda disse...

Antes do 25 de Abril até nos jornais fascistas havia jornalistas com espinha dorsal, que os próprios patrões defendiam da PIDE, porque o trabalho deles era relatar a verdade. É o honradíssimo Baptista-Bastos que o diz. Parece que as "escolas" de jornalismo só fabricaram cãezinhos fraldiqueiros do poder. Vilanagem!

Xavier Brandão disse...

O que é dramático é que toda a desinformação feita pelos média funciona: é ver gente que conheço, que vive do trabalho, a acusar o Carvalho da Silva de demagogia, e a reverenciar um grande patrão e todos os tipos que lhes fodem a vida todos os dias.
É desesperante. Há gente a quem a realidade chega distorcida pelos meios de comunicação. Passam a viver num mundo de fantasia, como o Neo no Matrix - filme que é uma excelente metáfora da vida (?) que milhões levam.
Mas, um dia, como não pode deixar de ser, hão-de levar tamanha realística bofetada que, OXALÁ, se revoltem.

JPN disse...

Por acaso acho a reportagem muito bem feita e não vi tom de sátira. Só se for aquele "Jerónimo de Sousa juntou-se depois, que o caminho é longo", o que me pareceu apropriado. Mais, a pergunta que ela faz é ao Carvalho da Silva e serve para desmontar aquilo que é muitas vezes utilizado contra este tipo de manifestações nesta altura de crise e ela dá-lhe o protagonismo da resposta, com um vivo, o que me parece mais do que correcto. Creio que a susceptibilidade em demasia aos nossos media e a sua imediata conotação aos interesses empresariais a que eles estão sujeitos não nos ajuda muito. :)

Filipe Tourais disse...

O Joaquim até pode ter razão quanto aos bons jornalistas que há por aí. Sei que os há. Mas há-de convir que, depois de tantos pacotes de austeridade que foram sendo anunciados e sempre resultaram em mais recessão e em novo pacote de austeridade, o que nunca ninguém viu foi algum desses jornalistas sérios fazer a pergunta na conferência de imprensa do anúncio respectivo: "será que mais um pacote de austeridade não irá fragilizar ainda mais um país já de si fragilizado com tanta austeridade?". Pelo menos eu não me lembro de o ter ouvido. E seria uma pergunta tão legítima. Ao contrário do que sugere a pergunta da senhora, o que nos está a matar é a austeridade e um poder que se escuda na negação a uma auditoria que mostrasse quanto devemos, a quem e por responsabilidade de quem. Não são as manifestações.