sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Gostei de ler: "A revisão da História"

«Contas feitas, o Governo tira-me a mim e a si o subsídio de férias e o subsídio de Natal para com eles pagar os desmandos da gestão do BPN. O Orçamento do Estado para 2012 prevê um montante de 4,5 mil milhões para avales e garantias do buraco no BPN. A ele acrescem os 1800 milhões que o Orçamento de 2010 destinou a custear a cobertura das imparidades. Se necessário fosse, fica claro, de uma vez por todas, com os numerozinhos todos, que o que pesa realmente na dívida do Estado não é a educação nem a saúde mas sim a vertigem do sistema financeiro que, ao contrário da esmagadora maioria das pessoas, tem vivido irresponsavelmente acima das suas possibilidades. (…)Há nisto tudo um exercício de desmemória, uma revisão da história que apavora. O BPN contaminou criminosamente a economia nacional e vai continuar a onerar cada um dos orçamentos das famílias portuguesas, privando-as de rendimentos essenciais - mas as gorduras a cortar são o meu salário e a sua pensão. Os quatro bancos mais importantes do País impuseram ao Estado a submissão diante da troika, empurrando assim a nossa economia e o rendimento de quem trabalha para o nível a que eles estavam nos anos 70 - mas o Governo jura não querer incomodar e manter-se à margem da gestão de quem esteve objectivamente na origem da nossa queda no abismo.» - José Manuel Pureza, artigo completo aqui.


“Nos próximos três anos, Portugal vai pagar 655 milhões de euros em comissões por causa do empréstimo da troika. É o equivalente aos cortes na Educação para 2012.” - DN


“Numa análise à proposta de Orçamento do Estado para 2012, os técnicos independentes que dão apoio aos deputados calculam em 1,3 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) o impacto no défice do custo directo da nacionalização do BPN em 2010 e 2011, um valor que supera os 1,2% do PIB de impacto dos cortes nos subsídios de férias e Natal. Para além do impacto no défice em 2010 e 2011, a UTAO calcula ainda que os encargos com juros que terão de ser suportados com as sociedades veículo do BPN vão originar custos na ordem dos 323 milhões de euros por ano, o equivalente a 0,2% do PIB de 2012. Só em 2010, o impacto na dívida pública do BPN foi de 2,2% do PIB.” - Público


As deduções fiscais em saúde no IRS vão ser reduzidas de uma forma drástica, de um máximo de 30% para apenas 10% , com o objectivo de aumentar a receita fiscal em mais de 439 milhões de euros, tendo em conta os valores registados em 2009, segundo cálculos da Entidade Reguladora da Saúde (ERS). No entanto, alguns médicos e especialistas em fiscalidade avisam já que a medida pode ter efeitos perversos, nomeadamente levando a um aumento da evasão fiscal (diminuindo a receita) e, simultaneamente, a uma diminuição do recurso ao sector privado, com uma consequente sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde (aumentando a despesa). - Público


“O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, admitiu nesta sexta-feira, em entrevista à televisão brasileira Globo, que a austeridade em Portugal vai “continuar por mais alguns anos”, porque “a dívida é grande”, ainda que “sustentável”.” - Público

2 comentários:

Anónimo disse...

Numa conferência promovida pelo Diário Económico, em Lisboa, na terça-feira, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou que Portugal só conseguirá sair da actual crise "empobrecendo": "Não vale a pena fazer demagogia sobre isto, nós sabemos que só vamos sair desta situação empobrecendo – em termos relativos, em termos absolutos até, na medida em que o nosso Produto Interno Bruto está a cair", afirmou. Ler mais

Arame Farpado disse...

O País não são números.
O País são os idosos que merecem um fim de vida digno.
O País são as crianças que merecem ter um futuro e poder ter esperança de o alcançar.
O País são as pessoas do nosso Povo, com todas as suas limitações mas todas as Lusas qualidades.
O País, senhores governantes, somos todos nós.

Quando foi que nos esquecemos de governar para as pessoas?

Vejam lá se entendem isto:
O objectivo de um Governo é criar as melhores condições de vida para os cidadãos de um país.

Quais são os desejos de um Povo? (infantilmente explicado)
- ter um emprego que lhe permita condições financeiras dignas e um tecto
- ter um bom sistema de saúde onde se possa cuidar
- ter um sistema de justiça rápido e justo
- ter um sistema de educação onde possa confiar os filhos
- ter serviços públicos eficazes
- ter um sistema cultural bem cuidado que conserve a identidade nacional
- ter governantes que zelem por estes interesses e não sejam corruptos

Senhores Governantes, parece-lhes que fazem alguma coisa disto?

Acham que o Povo se interessa pela dívida, pelo défice, pela balança comercial e pelo raio que os parta a todos?

Conseguem enfim perceber porque o Povo está divorciado da política e não confia naqueles que são eleitos para os representar?

A vossa actuação política está dissociada do objectivo de vida do vosso Povo.

Vocês não estão a governar para fazer cumprir as expectativas da sociedade que representam.
Governam para defender os objectivos de quem?

É tão difícil de entender?!

Ou são incompetentes ou têm uma agenda própria.
Já agora, choca-me que nos dias que correm apresentem todos os sacrifícios como inevitabilidades.