sábado, 15 de outubro de 2011

Ensino para ricos, ensino para pobres

O "ranking" das escolas deste ano, hoje conhecido, volta a mostrar como os alunos de escolas implantadas em meios mais desfavorecidos obtêm em regra piores resultados do que os conseguidos em escolas frequentadas por alunos que tiveram a sorte de nascer num meio socioeconómico menos ou mesmo nada desafogado. As escolas que seleccionam alunos através deste critério - as privadas podem seleccionar, as públicas felizmente que não podem - aparecem, com toda a naturalidade, nos lugares cimeiros da tabela. São ainda reflectidos o desinvestimento e a política de cortes que tem vindo progressivamente a limitar os meios ao dispor das escolas públicas para responderem às necessidades pedagógicas acrescidas de alunos que já trazem dificuldades de casa, bem como o sucesso artificialmente alcançado nos últimos anos através quer da introdução de entraves burocráticos que tornam o “chumbo” um processo infernal, quer do incentivo a um sucesso a qualquer preço orientado para as estatísticas e para a poupança de recursos.


É de esperar que a anunciada política do cheque-ensino e os cortes de 600 milhões no ensino público, paradoxalmente acompanhados pelo aumento do financiamento das escolas particulares com contrato de associação, agravem ainda mais este fosso entre a qualidade de ensino nas escolas dos ricos e a possível nas escolas dos mais pobres. É precisamente este fosso que é medido por este “ranking”. Cá estaremos no próximo ano para constatá-lo novamente e sem surpresa que estão a dar cabo da escola pública.

3 comentários:

Estêvão disse...

A dicotomia Público / Privado tem de ser vista no seu contexto regional. Se analisarem o Distrito de Castelo Branco verão que as piores escolas são precisamente as privadas e as melhores as públicas. Não só este ano, mas desde que existe divulgação dos resultados.

Era bom que se contextualizasse esta situação.

Filipe Tourais disse...

Há sempre louváveis excepções, Estevão.Fez muito bem em realçá-lo.

julio disse...

só excepções? quem concluiu isso?