sábado, 15 de outubro de 2011

É hoje.

Vamos? Eu vou.

Já começou.

Contou-se assim e assim

4 comentários:

Kaos disse...

Eu também

Anónimo disse...

Leiam no Expresso ( Emprego): "A conjuntura adversa está a favorecer alguns sectores e profissões. Marketing, vendas, banca e finanças lideram o mercado com salários anuais que podem atingir os 130 mil euros". Estamos em crise ? Ou a crise é só para alguns? Vamos para a rua!

VR disse...

Vítor Bento diz que o Estado precisa de mais 30 mil milhões de euros. É só deixar acalmar as hostes e virão aí mais cortes e impostos. Não podemos ficar em casa.

E eu também vou! disse...

Eu vou! (por Marisa Matias)

O Primeiro-ministro enganou os portugueses e continua a enganar-se a si próprio: para Passos Coelho austeridade é sinónimo de rigor, para quem por ela é afectado é sinónimo de castigo, de brutalidade.

Ainda a memória nos está fresca com a imagem de Passos Coelho tolhida pela necessidade de aplicar medidas extraordinárias. Nesses tempos, falava-se do corte de metade do subsídio de Natal e do aumento do IVA no gás e na electricidade. Eram medidas extraordinárias porque não conformes ao costume, porque raras e excepcionais, porque excessivas. Faziam parte do pacote de austeridade, ponto. O problema é que o Primeiro-ministro enganou os portugueses e continua a enganar-se a si próprio: para Passos Coelho austeridade é sinónimo de rigor, para quem por ela é afectado é sinónimo de castigo, de brutalidade. Passos Coelho tem uma missão a cumprir e o seu caminho está traçado. O orçamento de 2012 é mais uma etapa desse caminho.

Cortar metade do subsídio de Natal não era suficiente. Em 2012 e 2013 cortam-se na totalidade o subsídio de férias e o de Natal para todos os trabalhadores e pensionistas com rendimentos superiores a mil euros. É esta a lógica do castigo: punir os "culpados". Passos Coelho interiorizou melhor do que ninguém a narrativa que vence hoje na Europa: os "preguiçosos" vivem a Sul, os "virtuosos" vivem a Norte. Punam-se, então, os preguiçosos, parece querer dizer o governo.

Para além de já ter posto em causa tudo o que disse durante a campanha eleitoral, Passos Coelho ataca de forma vil a esperança de qualquer recuperação económica. Os dividendos, lembremo-nos, continuam fora do plano de taxações do governo. Os bancos continuam a não pagar impostos sobre os seus lucros. Para o Primeiro-ministro a equação é evidente: pôr o trabalho a pagar directamente a recapitalização dos bancos e esvaziar qualquer possibilidade de aumentar o espaço de respiração dos trabalhadores e desempregados.

Já sabemos também que o Partido Socialista não vai votar contra este orçamento. Curiosamente ou não, esta posição não surpreende. É assim mesmo na terra do faz-de-conta. O maior partido da oposição é-o quando faz declarações, anui quando os actos têm de corresponder-lhes.

Estas são apenas razões que se somam às razões já existentes para sair à rua no próximo dia 15 de Outubro. É impensável continuar num regime de impunidade quando há muito já se percebeu que a inevitabilidade nunca existiu, a não ser na cabeça de quem pensa a defesa dos interesses de um país como um cálculo de parcelas e ignora as vidas que lhe estão por detrás. Eu vou.

Artigo publicado no jornal As Beiras de 15 de Outubro de 2011