domingo, 2 de outubro de 2011

cleptocracy, ordem para calar

O modo de actuação e a brutalidade são os mesmos utilizados pela cleptocracia angolana, mas não, a cleptocracia aqui em causa é outra, supostamente bem mais democrática. Nos Estados Unidos, mais de 700 pessoas do movimento de protesto “Occupy Wall Street” foram detidas na ponte de Brooklyn, em Nova Iorque, durante uma manifestação contra a crise. A polícia assume que as 700 pessoas faziam parte de um grupo maior que estava a atravessar a ponte a partir de Manhattan, depois de terem estado acampados à porta da bolsa de Wall Street durante duas semanas, como forma de protesto contra a crise económica e financeira e a especulação dos mercados. Ou seja, na sua essência, o que motiva o protesto destas pessoas, que se estende a muitas outras cidades americanas, é o mesmo do das quase 200 mil que ontem saíram à rua em Portugal. Não encontro nenhum vídeo comentado com a pergunta que, segundo aquela jornalista de ontem, se impõe fazer nestes casos: “poderá uma jornada de luta prejudicar ainda mais uma bolsa já de si fragilizada?”. Procurei no youtube um filme que mostrasse a brutalidade relatada e o que encontrei foi uma quantidade infindável de videos suprimidos, alegadamente por violação de direitos autorais. Não se confundam: zelo não é censura. E confirmem-no. Há coisas que enervam mesmo os mercados.

3 comentários:

Gerson disse...

A partir do momento que as ações das populações ponham em perigo o sistema vigente capitalista, as regras da, assim chamada, democracia deixam de ser permitidas. Dirão os todos poderosos que essas pessoas estão a pôr em perigo a democracia ocidental, e elas serão reprimidas, presas, julgadas e mesmo mortas. Os ocupantes de Wall Street entenderam já que os políticos são apenas marionetes nas mãos do capitalismo e que apenas entretêm o povo com as suas leis e austeridades. Portanto, não vale a pena alinhar em manifestações que apenas visam criticar os governos. VAle sim a pena virarmo-nos contra aqueles que detêm o poder financeiro nas mãos - os investidores e os especuladores. São esses que nos sugam o sangue, a força, os impostos e a vida. São eles os assassinos do mundo.

AMCD disse...

As manifestações nova iorquinas de de Los Angeles, são um sinal de esperança de que as consciências adormecidas dos trabalhadores poderão e estarão a despertar do outro lado do Atlântico. Esperemos que este movimento se avolume como uma onda, tal como aconteceu há muitos anos com a contestação à Guerra do Vietname, e provoque os seus "Maios de 68" do lado de cá.

Está na hora dos nossos conterrâneos (e europeus) mais adormecidos, e anastesiados muitos, despertem do torpor e comecem a perceber que os sacrifícios que lhes estão a ser pedidos têm uma relação directa com a crise do "subprime" e com o resgate feito aos bancos após 2007. Os chefes de estado e ministros das finanças, chegaram, na altura, (julgo que em 2008) a reunir ao domingo (!), tão aflitos que estavam com as aflições do capital financeiro. Já com as aflições do trabalho é o que se vê.

Agora, os sindicatos têm de se concertar internacionalmente, para moverem lutas e greves gerais em simultâneo. Contra a globalização neoliberal, só uma resposta global é eficaz.

Enquanto a lógica da luta sindical for apenas nacional, poucos resultados serão alcançados.

A máxima marxista "Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos" é hoje mais pertinente do que nunca.

AMCD disse...

No meu comentário onde se lê "de de Los Angeles", leia-se "e de Los Angeles".