segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"Ciência" só para "optimistas"

Resulta óbvio o motivo da preferência dos impulsionadores do paradigma dominante pela apologia do ideal de pessoas artificialmente optimistas que, enquanto estão entretidas em se alinharem com a moda do optimismo, se alheiam da realidade e de chatices como a de ter que pensar: a moda de ser optimisticamente estúpido é incompatível com a crítica e com a resistência à rearquitectura social que está a delapidar o património civilizacional construído no último século. Isto a propósito deste “estudo”, baseado num universo estupidamente reduzido de apenas 14 pessoas, que consegue concluir que ser optimista “está no cérebro” e jurar a pés juntos que ser optimista faz bem à saúde para, a seguir, admitir que um optimista é pouco permeável a campanhas antí-tabágicas.


Os autores do estudo reforçaram que o optimismo tem efeitos positivos na saúde e estimaram que cerca de 80% das pessoas (a norma) são optimistas, ainda que quando confrontadas com a pergunta digam que não são. (20 por cento de anormais) (…) Esta informação mostra que o cérebro é capaz de escolher aquilo que quer ou não ouvir (olha a virtude) e que tem uma clara tendência para ser optimista. Daí que Tali Sharot sugira, por exemplo, que campanhas que tentem passar “mensagens como fumar mata, não funcionam porque as pessoas tendem a achar que as probabilidades no seu caso são baixas (fumar com optimismo deve fazer bem à saúde).

O optimismo faz bem às pessoas que se convencem que fumar a elas não lhes fará mal, às que se endividam sem pensar nas consequências e às que votam nos partidos que se negam a acreditar lhes vão roubar o futuro como as roubaram até aqui. É tudo uma questão de acreditar, na medida das conveniências do momento. Ser optimista faz bem à saúde de todos.

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