terça-feira, 25 de outubro de 2011

Árvores das patacas


Esta é mais uma de muitas provas das inúmeras vantagens de ver o monopólio da energia em mãos privadas num país que aceita que o termo “défice tarifário”se instale pacificamente à sombra de lucros diários de 5 milhões de euros das empresas que fazem o favor de nos iluminar as existências. A energia em mãos públicas teria a desvantagem do desvio do leito dos rios de dinheiro, que actualmente correm para os bolsos daqueles que ganham o direito a enriquecer através do voto e da abstenção da maioria dos portugueses, para outro que permitiria mais e melhores Saúde, Educação e protecção social, mas também estas parecem destinadas pelas resignações a proporcionar novos enriquecimentos desviados do empobrecimento geral.


Os que ainda o fazemos, andamos a discutir o futuro do país entrincheirados ao redor do fosso que foi criado para nosso entretenimento entre trabalhadores do público e trabalhadores do privado, entre a preguiça postiça dos pobres e o pretenso privilégio dos remediados, entre os que entregaram a corda àqueles que sabiam seriam os seus carrascos e os que se vangloriam pela descoberta da inutilidade do voto, entre todos nós que pagamos o enriquecimento de quem, para além do condicionamento de percepções que conduz a esta atomização de esforços e interesses, tem também o poder de semear a necessidade de fazer sacrifícios, alegadamente para salvar a Pátria. Do lado de cá do fosso, cada um à sua maneira, a maioria aceita limitar-se à sua condição de árvore das patacas.


Já seria hora de suspender a estupidez por período indeterminado, activar de vez a democracia e pôr tudo na ordem. É que a factura ainda mal começou a chegar. A notícia sorrateira dos últimos dias é a do primeiro cálculo do custo das PPP, tal como a notícia sorrateira do dia 16 de Abril de 2008 foi a da venda sem concurso público do alargamento da concessão por mais 20 anos da exploração de centrais hidroeléctricas. O vídeo junto é um desenvolvimento desta última. Sobre as PPP, não faltarão desenvolvimentos, sobretudo a partir de 2013, a data oficialmente marcada para o fim dos sacrifícios: se nada for feito para renegociar estes negócios sem risco para o parceiro privado, a despesa do Estado com as PPP vai disparar a partir de 2013 e atingir o pico em 2015, altura em que deverão sair dos cofres públicos 1545 milhões de euros, mais de 1% do PIB. Estamos no melhor caminho para endireitar as contas públicas e nada temos que ver com a Grécia.

1 comentário:

Anónimo disse...

A censura da EDP foi feita ao comentário que Joana Couve Vieira pôs no site daquela empresa, onde deixava link para uma página do facebook que ligava a uma reportagem crítica do plano nacional de barragens (actualmente parece que está indisponível.
A reportagem passou no programa Biosfera, da RTP2, a 12/X/2011 e pode ser vista em «Tudo o que precisa de saber - A fraude do plano nacional de barragens». Como vemos, segundo peritos no assunto, as novas barragens em construção, incluindo a do Coa, custarão uma pipa de massa e terão um saldo energético nulo. O seu custo representa 20% do empréstimo da troika e 10% do aumento futuro na factura da electricidade. É por estas e por outras que os programas de ambiente são praticamente inexistentes na tv portuguesa. É que importunam interesses muito fortes. O resto das PPP também serviu para fazer milionários ao largo do interesse público. Paguemos.