sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Uma auditoria é demasiado pouco para tantos jardins

Estava tudo a correr quase bem. O Governo até avançou com uma proposta que facilitará o despedimento de todo e qualquer trabalhador que acorde com uma inadaptação súbita ou que não consiga cumprir objectivos melhor imaginados pelo seu patrão e outra que reduz para metade o valor do trabalho suplementar. E eis que lá aparece outra vez aquele Alberto João a estragar tudo, a admitir que o valor da dívida da Madeira equivale ao da delinquência banqueira do BPN, àqueles mais de 5 mil milhões que, em capítulo anterior, “para salvar a Pátria”, fomos convocados a pagar. O Governo terá agora que flexibilizar ainda mais os despedimentos e tornar obrigatória a regra do voluntariado nas horas extraordinárias que, mercê da quase ausência de fiscalização, já fortalece a solidez financeira de grande parte do nosso tecido empresarial.


Mas o que é que uma coisa tem a ver com a outra? O mesmo que o desbaste que está a ser promovido nos salários e nos direitos laborais tem que ver com o argumento que o justifica, a situação das contas públicas do país: nada. E aceitar mais impostos, mais desmantelamentos de serviços públicos, mais cortes nas prestações sociais, mais vendas ao desbarato de património público e a terraplanagem dos nossos salários e direitos, longe de ser uma solução, é aceitar continuar a alimentar os desvarios de um poder que não está em boas mãos.


Quantos serão, afinal, os nossos Jardins? Demasiados para apenas uma só auditoria. O problema da Madeira tem que ser resolvido, é verdade, mas é apenas uma parte de outro, muito mais vasto. Alberto João foi impotente para travar a auditoria que está a resultar na sua exposição ao julgamento público. O mesmo julgamento que evitam os três partidos que têm poder quanto baste para adiar cine dia a auditoria à totalidade da nossa dívida. E a Madeira mostra como urge fazê-la para, aí sim, finalmente começarmos a reconstruir o que continua a ser consumido no banquete do clube de compadres que, à vez, mandam no Continente há tanto tempo como o auditado e até agora conviva reina na Madeira. Sentimo-los a passearem-se sobre os nossos sacrifícios. E pesam. Sem o travão de uma auditoria,pesarão cada vez mais.

(editado)

5 comentários:

JP Marques disse...

A lógica de que os continentais vão pagar a dívida da Madeira, é, no mínimo, desprovida de sentido! Ou julga que nós madeirenses também não pagamos Metros do Porto, Estádios de futebol, entre outros, todos bem maiores que qualquer "buraco" madeirense? Se os sacrificios são para todos, porque será a ajuda só para alguns?

Cumprimentos,

Filipe Tourais disse...

Rresulta-me perfeitamente igual pagar dívida da Madeira ou do Continente. A bandeira é a mesma. Já o caso muda de figura quando a legalidade está em causa, ou no Continente, ou onde seja.

JP Marques disse...

O IDP-Instituto do Desporto de Portugal registou um total de 6.061.516,36 Euros em facturas não contabilizadas. Estamos a falar de um instituto público com 30 funcionários. A Madeira não comunicou 1.600.000.000,00 Euros, uma região com 250 000 habitantes. Será que é só a legalidade que está em causa?

Filipe Tourais disse...

Mas um mal legitima o outro, é? Ele matou 100 e eu só matei 10 e vice-versa? Se mataram os dois, é crime em ambos os casos, não há cá relativizações.

Streetwarrior disse...

bem analisado felipe.
tentaram dividir-nos ao máximo, fazendo-nos escolher um lado da barreira para continunarem a fugir com o dinheiro dos bancos enquanto arrancamos os olhos uns aos outros.

Crime é crime, seja ele 1 ou 10.
À Forca com quem prevarica e goza com o nosso futuro.