sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Safem o Isaltino

O dia despertou incrédulo, numa algazarra desabrida. Ainda não se sabe se Isaltino Morais foi finalmente preso ou se é apenas o Estado de direito a espernear, farto de ver a lentidão ao serviço da injustiça e cansado do primado da forma sobre a substância. O país está em suspenso, o salvamento poderá acontecer a qualquer momento. Alguns esperam que o nome do branqueador de Oeiras seja incluído na convocatória de Paulo Bento, outros que seja Cavaco Silva a indicá-lo como o membro honorário do Conselho de Estado que substituirá o filantropo caído em desgraçada fortuna Dias Loureiro, mas outros ha menos centrados no salvamento que se limitam a empolar o caso para ofuscar as bardinices jardinárias do favorito de Passos Coelho para vencer as eleições na Madeira. Enquanto ninguém se decide a avançar para o salvamento do pobre homem, vou ali tomar um cafezito, já venho. Não saiam daí.


Actualização 1: 30.09.2011 - 12:45 – "Isaltino prestes a ser libertado".


Actualização 2: 30.09.2011 - 17:47 – E assim foi. A juíza do Tribunal de Oeiras decretou a libertação imediata de Isaltino Morais. Será um excelente fim-de-semana para ele. Pois é, não podia ser. Tudo não passou de um lamentável erro.


Actualização 3 (fiquei quase a chorar): 30.09.2011 - 20:54 - Isaltino diz ter sofrido a mais dura prova.


Actualização 4: (Justiça para o nosso herói) - 01.10.2011 - Detenção de Isaltino motiva abertura de inquérito.


Actualização 5: - - (Pois) – 01.10.11, 19:33 - Crimes pelos quais Isaltino foi condenado podem prescrever em 2012.


Actualização 6: (Ainda não conheceria as ordens superiores) - 02.10.2011 - 07:53 - Juíza que prendeu Isaltino estava só há um mês em Oeiras.

1 comentário:

Anónimo disse...

Isaltino Morais foi detido. Pela PSP. Como um criminoso. Uma pessoa lê e não acredita. Criminoso é quem rouba um autorrádio, não é quem rouba o Estado quando ocupa cargos públicos. O criminoso gasta o dinheiro no dia seguinte, não o põe a render na Suiça. Sim, é verdade que o processo ainda não acabou. Mas olha-se para a forma como os seus advogados tratam da sua defesa e percebe-se como as coisas funcionam. Todos os recursos são entregues na véspera de cada decisão transitar em julgado. Não há a tentativa de provar a inocência do autarca. Há a tentativa de arrastar, o mais que der, o processo.
Defendo que qualquer acusado deve ter direito a todas as garantias de defesa e a um julgamento justo. Oponho-me a julgamentos sumários. Mas o sistema jurídico português, com o seu labirinto processual, garante uma justiça rápida para quem não pode pagar um advogado e processos que se arrastam até darem em nada para quem consiga pagar os melhores.
Sim, toda a gente é inocente até prova em contrário. Nunca me cansarei de o dizer. Mas tudo tem um limite. No caso de Isaltino Morais, os truques dos seus advogados, que já vão no Tribunal Constitucional, sempre deixando esgotar todos os prazos até pagarem todas as multas necessárias, não podem deixar as evidências suspensas por mais tempo.Todos conseguimos distinguir quando se está a tentar provar a inocência de alguém ou a tentar adiar uma condenação.
Mas os portugueses não se podem queixar. O que a justiça não faz eles deixaram por fazer. Nem sequer foram os partidos. O de Isaltino correu com ele. Foram os eleitores, e não as leis, que reelegeram Isaltino depois da sua condenação. E não se tratou de caciquismo ou compra de votos. Oeiras tem os munícipes mais instruídos e com mais poder de compra do País. Os mesmos que se indignarão porque um qualquer pilha-galinhas "é apanhado hoje e amanhã já está cá fora". Não é a justiça que distingue o ladrão rico e o ladrão pobre. São os próprios portugueses. Gostam de ser roubados. Desde que o ladrão, claro, "tenha obra".