sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Regular, regular

Depois de hoje ter sido noticiado um aumento de 30 por cento nas tarifas eléctricas para 2012, apesar do agravamento de 17 por cento no IVA que ocorrerá no próximo mês, qualquer aumento efectivo de 5 ou 6 por cento que venha a concretizar-se parecerá uma notícia daquelas que “não são assim tão más”. A ERSE não o confirma, mas a conveniência do efeito desejado impede um desmentido categórico.


E são muito poucos os que estranham ver aquela que é precisamente a entidade que tem como finalidade acautelar o interesse dos consumidores a propor um aumento tão exorbitante dos lucros de um monopólio natural onde, mesmo sem aumento, já se praticam das tarifas mais gulosas de toda a Europa, pelo que pouco haverá a temer que se comente sobre eventuais compensações ao nível da economia subterrânea que pague tão valioso contributo para a causa dos rendeiros da Nação.


Finalmente, qquanto aos efeitos de um qualquer aumento tarifário sobre a tal competitividade da economia portuguesa que andam a espevitar, também não haverá nada a temer enquanto houver um salário que se disponha a encolher pela Pátria para compensar a parcela que venha a engrossar os mais de 5 milhões de euros de lucros diários do sector. Se a electricidade estivesse em mãos públicas, podiam pagar Saúde, Educação, desemprego, velhice, infância e até os buracos que a delinquência cavou nos nossos destinos. Mas não seria a mesma coisa.

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