sábado, 24 de setembro de 2011

Era uma vez um memorando que nasceu para enriquecer uns poucos e empobrecer o resto

Zoe Georganda, professora de econometria e membro do Conselho do ELSTAT, o instituto de estatística que publica os dados das contas públicas, disse à imprensa grega que "o défice de 2009 foi artificialmente inflacionado para parecer que o país sofria o maior défice da Europa, acima até dos 14% da Irlanda". "Isto permitiu justificar as medidas duras contra a Grécia. O défice grego foi finalmente calculado em 15,4%, quando na realidade rondava os 12% do PIB", revelou Georganda. Segundo a economista, os responsáveis do Eurostat, que depende da Comissão Europeia presidida por Durão Barroso, obrigaram a Grécia a integrar nas suas contas os gastos das empresas públicas, mas não as suas receitas.


Na sequência do escândalo, o ministro das finanças grego decidiu exonerar todo o Conselho do ELSTAT, à excepção do seu presidente, Andreas Georgiu, que tomou posse do cargo em Agosto de 2010, vindo directamente do Departamento de Estatísticas do FMI. Georgiu era funcionário do FMI desde 1989 e foi chamado esta semana ao parlamento grego para dar explicações, a pedido dos conservadores da Nova Democracia e da coligação de esquerda Syriza, que agora também quer ver os membros demitidos do Conselho do ESTAT e o então ministro das finanças e actual ministro do ambiente, Yiorgos Papakonstantinou, a darem mais explicações aos deputados.


Apesar dos desmentidos do responsável pelas estatísticas, os gregos ainda têm presente na memória o escândalo da ocultação da dívida grega em 2001, com a cumplicidade da Goldman Sachs a usar produtos derivados para maquilhar as contas. O então director da Goldman Sachs para a Europa era Mario Draghi, agora nomeado pelos países da zona euro para substituir Jean-Claude Trichet no cargo de governador do Banco Central Europeu. (artigo completo aqui)

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