sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A Cultura pobre, o Estado gordo e o Berardo ali tão magro

Estou-me nas tintas para a troca de beijos entre Joe Berardo e Francisco José Viegas, mas não posso deixar de aqui reproduzir alguns dados que escorreram do enredo e que surpreendem num país que alega falta de dinheiro para tão mal tratar a Cultura e para tornar o despedimento e o congelamento de salários e carreiras dos funcionários públicos assunto muito em moda.


O primeiro, parece que para pagar salários, a Secretaria de Estado de um dos senhores transfere mensalmente 1.275.000euros para a Fundação do outro. Quantos funcionários terá a Fundação? Contas bem feitas, poderão ser – ou, como queiram, poderiam ser noutros organismos - mais de 2000 funcionários com um salário de 600 euros mensais, 1000 com um salário de 1275 euros, 500 a ganhar 2550 euros, 250 a ganhar 5100 euros ou 100, que já me parece demasiado para uma Fundação Berardo, pagos a 12750 mensais o artista. Isto em termos médios, evidentemente, porque, por tradição, nestas organizações há sempre uma administração composta por membros com direitos alargados no buraco do nascimento que absorvem quase tudo, if you know what I mean.


O segundo, «entre 2007 e 2010, o Estado transferiu mais de 26 milhões de euros para a fundação». E neste mesmo período, Joe Berardo e a Associação Colecção Berardo transferiram para a fundação 1 milhão de euros em dinheiro e 1 milhão de euros em obras de arte em 2009 [compara com os 1,2 milhões que a fundação recebe mensalmente do Estado] . Assim, em termos de percentagem total, os contribuintes portugueses financiaram a Fundação Berardo (e a marca e visibilidade de José Berardo) em 92,69% do orçamento da Fundação. Ao passo que o financiamento de José Berardo é, nesse período, de 2007 a 2010, de 5,65% do orçamento da Fundação».

2 comentários:

Anónimo disse...

Assim se esbanja
Assim se suga o herário público...
Quem anda a mamar à contado contribuinte?

jose disse...

O comendador, pois... e há mais a comer.