segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Angela-la-loca e a soberania alemã

No domingo, em entrevista à televisão pública ARD, Angela Merkel defendeu o agravamento de sanções a países da zona euro que não cumpram os critérios de estabilidade, incluindo a perda de soberania. Os critérios a que se refere são os do Tratado de Maastricht, onde se impõe um limite de três por cento para o défice orçamental e um limite máximo de endividamento de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) aos países da União Europeia.


E como andam as contas alemãs? "A verdade" é o título de um artigo do Handelsblatt onde são revelados números espantosos que põem termo ao mito da alegada parcimónia do Estado alemão. Oficialmente, a dívida alemã, em 2011, é de 2 biliões de euros. Contudo, essa é apenas uma meia verdade, uma vez que a maior parte das despesas previstas com Saúde e Segurança Social, tendo sido colocadas artificialmente fora do perímetro orçamental, não são incluídas nesse cálculo. Considerando esses valores, a dívida real ascende a mais de 5 biliões de euros. Por conseguinte, a dívida da Alemanha atinge 185% do seu produto interno bruto e não os 83% oficialmente anunciados.


Como termo de comparação, a dívida grega em 2012 deverá ascender a 186% do PIB da Grécia, o que quer dizer que, se as declarações de Ângela Merkel à ARD forem para levar a sério, a Alemanha e a Grécia equivalem-se no risco de perda de soberania.


Desde que chegou ao poder, em 2005, Angela Merkel "criou tantas novas dívidas como todos os Chanceleres das quatro últimas décadas juntos", refere o economista principal deste diário económico. "Estes 7 biliões de euros são um cheque sem provisão que nós assinámos e que os nossos filhos e netos terão que pagar."

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