sábado, 3 de setembro de 2011

Ai, ai, que paciência

Imitando Passos Coelho que, recorde-se, não aprovou o PEC IV por alegadamente ser demasiado duro, o secretário-geral do PS, António José Seguro, acusou o Governo de estar a executar um “assalto violento” às funções sociais do Estado, considerando “intolerável” e “inaceitável” as últimas medidas anunciadas para o sector. Fica-lhe bem dizê-lo, agora que o PS está na oposição. Faz muito bem. Aviva memórias. O PS assinou de cruz o memorando que, na nomenclatura da governação Sócrates, seria o PEC V e que previa toda a desconstrução de que se queixa o senhor que caiu do silêncio. Foi com o PS que – porreiro, pá, meu Deus, que belas fotografias! – Portugal assinou o Tratado de Lisboa. Foi o PS o motor do movimento PS-PSD-CDS que conseguiu evitar o referendo e fazer aprovar no Parlamento este tratado das políticas PEC até ao infinito. Foi o PS que, à semelhança do PSD, abdicou de qualquer discurso autónomo fora da lógica do bom aluno relativamente à construção europeia ao longo dos últimos 25 anos de subserviência nacional.



Os últimos cento e tal dias teriam sido diferentes com o PS no poder? Os de António José Seguro, seguramente. Teria continuado a calar o que um défice razoável de vergonha não o impede agora de dizer. Os do Passos Coelho que sucedesse ao actual seriam iguais aos do actual Seguro. Mas os nossos teriam sido iguaizinhos ao aniquilamento calendarizado no memorando que assinaram juntamente com o outro vendido, cujos dias apenas seriam diferentes no parceiro de coligação. Ou será que com Seguro aos comandos teríamos os ricos a queixarem-se de serem obrigados a contribuir para a sociedade onde enriquecem, assistiríamos à manifestação do seu protesto por não lhe serem vendidas ao desbarato os monopólios e serviços públicos prometidos ou saborearíamos a cólera de uma Merkel desvirginada no NÃO que o futuro dos portugueses há muito reclama? Ai, ai, que paciência.

1 comentário:

Medeia disse...

E nada mais acrescentaria a relato tão exacto das políticas portuguesas dos últimos anos, das guerras argumentativas entre PS e PSD e das técnicas de propaganda barata que há muito constituem campanha política e argumento de oposição.