sexta-feira, 15 de julho de 2011

Sobre aquela cantiga da banca não poder financiar a economia porque ajudou o país e comprou dívida pública

quando se fala das dificuldades de acesso ao crédito por parte das actividades económicas, os habituais comentadores avançam com a conversa do costume: a banca não pode financiar a economia, porque teve que comprar muita dívida pública … De tanto repetidas, estas afirmações ganham estatuto de veracidade. Mas escondem a realidade, de como o sector financeiro anda a tramar o país na questão da dívida.


Comparando os 19 mil milhões de euros de dívida pública portuguesa adquirida pelos bancos com os 16 mil milhões de dívida detida pelos particulares através de certificados de aforro e do tesouro, fica bem evidente que a banca, as seguradoras e as restantes entidades do sector financeiro decidiram não comprar dívida pública portuguesa. Escolheram forçar a intervenção da troika FMI/BCE/U.E e a ascensão do PSD e CDS à governação do país. Decidiram comprar dívida soberana de outros países e adquirir outros títulos de empresas privadas para prencher as suas carteiras de activos, fizeram as suas escolhas. Mas não queiram agora fazer de conta que aconteceu o inevitável ou que a banca se rege por qualquer outro critério que não os do risco ou do lucro..


Os últimos números dos empréstimos concedidos pelo sector financeiro (INE-Junho 2011 – pág. 39.A) confirmam que, no 1º trimestre de 2011, os empréstimos concedidos para habitação própria - 121 mil milhões de euros, continuam a ser superiores aos concedidos à indústria, agricultura, comércio e serviços – 119 mil milhões de euros, dos quais 16,3 mil milhões a grandes empresas e 92,5 mil milhões a pequenas e médias empresas. Esta distorção na concessão de empréstimos não surge por acaso, é o resultado das escolhas da banca por generosas rendas de longo prazo (quase perpétuas), de baixo risco e com altas garantias. (ler artigo completo aqui)

Sem comentários: