terça-feira, 5 de julho de 2011

A seguir: abaixo de lixo

Precisamente um mês depois de conhecido o resultado das eleições e uma semana após a divulgação do programa do Governo, a agência de rating Moody’s desceu a notação de Portugal para um nível considerado junk (lixo). Em comunicado de imprensa, o ministério das Finanças reage acusando a agência de ignorar a “execução de medidas acordadas com a troika”, e o amplo consenso político que as suporta, e a recente adopção da taxa extraordinária, a ser aplicada em 50% do subsídio de Natal e anunciada a semana passada durante o debate do programa de Governo. Ora aí está, precisamente, exactamente. O mundo inteiro sabe, incluindo as agências de rating, que, para além de não travarem a especulação, as medidas anunciadas só nos vão afundar ainda mais. Já seria hora de adoptar as políticas que fazem falta  à criação de emprego e ao crescimento económico e de abandonar de vez a estratégia de anúncios sucessivos de pacotes de austeridade selectiva na patética esperança de que possam agradar aos mercados. Caso contrário, obrigam estas velhas amigas do mercado a criarem um nível especial para nós: abaixo de lixo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Pergunta e bem a Maria João Pires: Cavaco já veio explicar que não se deve dizer mal dos mercados e das agências de rating? E já agora: não é curioso que depois de termos eleito o governo que não só se propõe cumprir o programa da troika mas mesmo "ir mais longe" sejamos cotados pela máquina especuladora como "lixo"? Como se disse num manifesto aqui há uns meses atrás, "o inevitável é inviável".