domingo, 17 de julho de 2011

Relações perigosas

Lá fora, os proveitos que se trocam no submundo das relações obscuras entre o poder detido pelos grandes grupos de média e um poder político que supostamente emana da democracia dão um ar da sua graça com o caso das escutas do News of the world. Por cá, um artigo de péssimo gosto, ontem publicado, pintava um cenário ficcionado de funcionários públicos com salários propositadamente inflacionados (1) para desbravar terreno na opinião pública para o anúncio de hoje de Pedro Passos Coelho de que brevemente haverá novos cortes na despesa (2). Assalta-me a dúvida: fará o dito artigo sentir o seu peso na despesa pública que é paga por todos nós ou a retribuição do serviço de desinformação será objecto de compensação a outros níveis?


(1) Ter mais ou menos 500 euros todos os meses na conta bancária faz toda a diferença para a maioria das famílias. E 502 euros é a distância entre o ordenado médio de um português no sector privado (884 euros) e na administração pública (1386 euros). Por ano, o Estado paga 1,97 mil milhões de euros com os vencimentos-base de mais de 100 mil funcionários. O valor é o equivalente, por exemplo, àquele que os turistas deixaram em Portugal nos primeiros quatro meses deste ano. (16 de Julho)


(2) Pedro Passos Coelho disse este domingo que o desvio orçamental de mais de dois mil milhões de euros será compensado com novas medidas, que serão anunciadas até ao final de Agosto. «Há muito próximo de dois mil milhões de euros que precisam de ser absorvidos do lado da receita e do lado da despesa, para que até ao final do ano o objectivo que ficou fixado para o défice seja cumprido e será cumprido», disse.

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