quarta-feira, 13 de julho de 2011

Passos, o incendiário bombeiro

Ao mesmo tempo que diz que anda a trabalhar para transmitir confiança aos mercados, Passos Coelho anda a regar-lhes a desconfiança com gasolina. Fê-lo quando argumentou que o memorando que assinou conjuntamente com Sócrates e Portas era insuficiente e que, por isso, desprezando os impactos que a medida teria sobre a economia – aguardemos pelo fim dos saldos para assistir a uma vaga de encerramentos de estabelecimentos comerciais -, tinha tomado a decisão de cortar nos subsídios de Natal sem qualquer estudo prévio que sustentasse a medida. Depois disso, veio o corte da Moody’s. Embalado pelo apoio popular-patrioteiro, Passos não quis aprender. Hoje, vemo-lo novamente de jerrycan na mão, a insinuar um “desvio colossal” nas contas públicas entre os números anunciados pela máquina de Sócrates e a realidade constatada pela sua. O mesmo filme da Grécia, que os mercados conhecem tão bem . Vão adorar. E o mesmo filme tão nosso conhecido, nas versões anteriores com os actores Durão a acusar Guterres e Sócrates a acusar Santana Lopes, numa repetição também na falta de um processo de averiguações com vista a aplicar os procedimentos de responsabilização financeira e (eventualmente) criminal que a lei prevê. A pesporrência é outra vez a capa da inabilidade.

1 comentário:

Daniel Santos disse...

Estou em condições de avançar que não existe qualquer desvio colossal. Há vários anos que não nos desviamos do caminho do buraco