segunda-feira, 4 de julho de 2011

Nobre, apolítico até ao fim

Fernando Nobre abandonou a Assembleia da República. A renúncia ao mandato de deputado foi dada a conhecer por carta enviada aos serviços da Assembleia. Mas, segundo uma fonte da direcção da bancada, o cabeça de lista do PSD por Lisboa não informou a direcção do grupo parlamentar desta decisão formalmente, isto é, por carta. Só o fez ao próprio líder do partido, Pedro Passos Coelho.

2 comentários:

Anónimo disse...

Fernando – o candidato presidencial que exortava os seus adversários a darem-lhe tiros na cabeça, o cidadão que é maçónico e régio, o homem que viu um dia uma criança correr atrás de uma galinha para lhe roubar um pedaço de pão, o populista que queria reduzir a AR a 100 deputados porque ali campeia a preguiça, o independente que queria moralizar o país, o cabeça-de-lista por Lisboa do PSD que se bateu por um programa sem o conhecer, o ego a quem prometeram um lugar que não fosse o de mero deputado – Fernando, dizia, renunciou. Não ficou para mudar a política, não aceitou bater-se por um mandato que lhe foi confiado, amuou por não lhe terem dado os votos necessários para que fosse eleito presidente da Assembleia. Enfim, uma história triste com um final mais ou menos esperado. Um episódio que revela bem como o justicialismo se conjuga mal com a democracia. Um enredo que diz muito sobre a figura de Nobre e quase tanto sobre o ethos político e moral do partido que o decidiu acolher.

Daniel Santos disse...

Absolutamente triste toda a novela protagonizada por Fernando Nobre. O curto caminho que percorreu desde a candidatura à Presidência, que eu acreditei, passando por uma tentativa falhada de saltar degraus e ser Presidente da Assembleia da Republica, terminado agora numa renuncia ao cargo de deputado, mostra que afinal sempre estivemos perante um fraude politica. Nobre presidente da AMI transformou-se no Nobre da ambição desmedida por protagonismo e poder. Ao contrário de muitos, reconheço que errei na avaliação que fiz da personagem, não fujo em frente e muito menos desculpo este insulto à democracia.