terça-feira, 12 de julho de 2011

Lixo ao fundo do túnel

Uma contracção do PIB de 4 por cento acompanhada de uma destruição de 100 mil postos de trabalho é a previsão do tradicionalmente optimista Banco de Portugal para os próximos dois anos. As políticas recessivas anunciadas agravarão o impacto da quebra de 10 por cento no investimento privado, juntando-lhe um corte de 5 por cento no já raquítico investimento público e uma quebra nunca vista no também já demasiadamente sacrificado consumo das famílias de 6,7 por cento. As pessoas e o crescimento económico estão definitivamente fora dos objectivos de política económica dos administradores da troika.

Quanto ao objectivo equilíbrio das contas públicas, de nada serve aumentar o IVA e o IRS se atrás deles vêm uma quebra abrupta no consumo e no investimento privado (a base de incidência do IVA), uma quebra no emprego (a base de incidência do IRS) e uma quebra na actividade económica das empresas (a base de incidência do IRC,). Todos eles ainda com impactos orçamentais pela via dos subsídios de desemprego e outras prestações sociais. Posto isto, com toda a certeza que o objectivo de política económica também não é equilibrar as contas públicas, pelo que para perceber a razão da manutenção da orientação política seguida restará olhar para as privatizações a preços de saldo, para as oportunidades de negócio proporcionadas pela transferência do filão da Saúde para mãos privadas, num processo que deixará uma Saúde para pobres a apodrecer no sector público, e para a rarefacção dos direitos laborais que visa embaratecer o factor trabalho. Os portugueses tem muito tempo para perceberem que legitimaram pelo voto uma agenda política de concentração de riqueza obtida através de uma forte regressão económica e social e de novas rendas proporcionadas pela privatização de mais recursos e monopólios naturais.

1 comentário:

Anónimo disse...

Se a economia é incapaz de crescer, não haverá austeridade que nos salve do endividamento, visto que os juros e a dívida aumentam a uma taxa maior que a nossa capacidade de gerar riqueza...