quinta-feira, 21 de julho de 2011

Era uma vez ... "utopias"

Reduzir a taxa de juro e alargar o prazo de pagamento que os partidos da troika nacional assinaram de cruz, que Bloco de Esquerda e CDU exigiam fossem reivindicados, eram, até há instantes, parte da “utopia” oficial que foi vendida como capaz de destruir a confiança dos mercados deste mundo e do outro e, por essa via, fazer Portugal mergulhar nas trevas mais profundas. Pois confirma-se que parte dessa “utopia”, que condicionou decisivamente o último processo eleitoral, afinal, não era utopia nenhuma. Era, simplesmente, algo que a cobardia política dos representantes de um povo resignado a sobreviver curvado e de mão estendida não foi capaz de reivindicar mas que, sem qualquer esforço nesse sentido, acabou por cair dos céus.


E qual a reacção do nosso Pedro das Utopias? Toda a naturalidade de mais um grande triunfo para Portugal. Segundo o nosso vencedor improvável da noite, as agências de notação e os mercados não terão mais razões para duvidar das condições de sucesso do programa de austeridade desenhado para Portugal, que até pode aspirar a regressar mais cedo aos mercados. Sim, sim.


Ainda não o saberá, e seguramente que tão-pouco será demasiadamente importante para um mendigo que se limita a aceitar o que lhe dão, mas o Nobel da Economia Paul Krugma não está tão optimista assim. Pode ser que, até que se confirme que Krugman acertou outra vez, a auditoria à nossa dívida, à qual estes senhores se opõem para proteger as clientelas partilhadas, deixe também de ser “utopia”. Seria importante que cada um de nós não fosse obrigado a pagar dívidas que não contraímos, tal como seria importante que finalmente aceitassem a evidência de que a austeridade é a utopia que está a matar a Europa. Mantêm-na. No essencial, estamos na mesma.

(editado)

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