quinta-feira, 7 de julho de 2011

Crescer é aprender

Em pequeninos, dizem aos portugueses que, se não se portarem bem, depois o Pai Natal não dá prendinhas. O Pai Natal é amigo, mas só se souberem comportar-se. Em grandinhos, dizem aos portugueses que basta portarem-se bem e os mercados depois recompensam esse esforço. Os mercados são amigos, mas só se souberem aguentar caladinhos os sacrifícios que quem manda decida por bem colocar-lhes no sapatinho. Em pequeninos, quando chega o dia da descoberta de que o Pai Natal não existe, é um berreiro desgraçado. Mas a choradeira logo acalma quando é dada a parte boa da notícia: vai continuar a haver prendas mesmo sem Pai Natal. Em grandinhos, chegado o dia que poderia ser da descoberta de que a fábula dos mercados é uma treta de todo o tamanho, é um berreiro desgraçado. Neste preciso momento, estamos na fase da ressaca. Os crescidinhos vão acalmar apenas quando o Pai Natal dos sacrifícios voltar a recarregar-lhes os sapatinhos. Se continuarem a portar-se bem, um dia, quem sabe… os mercados hão-de mesmo recompensá-los.

1 comentário:

Francisco Vaz disse...

Sobre esse imenso exército das trevas de indignados de última hora, essas temíveis multidões de comissários do pensamento único, que contam nas suas fileiras com a troika nacional, mais o supremo magistrado da nação, mais os enxames de politólogos, analistas, especialistas de tudo, intriguistas, parapsicólogos, jornalistas de cordel, comentadores, bajuladores, biógrafos de serviço, necrologistas, cartomantes, empreendedores, credores, fiscalistas, construtores de auto-estradas, juristas de venda até aos pés, sem esquecer, naturalmente, os economistas visionários, os economistas catástrofe, os economistas com o rabo de fora, os economistas a soldo, os economistas eucalipto, os economistas mercenários, os economistas taxistas, os economistas de-vão-de-escada, os economistas com-rodagem-europeia-ou-mesmo-mundial-com-especial-incidência-no-hemisfério-norte, os economistas ex-tudo, os economistas com dono, os economistas almofariz, os economistas terroristas, os economistas descartáveis, os economistas acima de qualquer suspeita, os economistas bola de cristal, os economistas ubíquos como a d. constança do vitorino, os economistas dos grupos de estudo independentes, os economistas com ideias de futuro, os economistas patriotas: das duas uma.
Hipótese A – não percebem patavina do que falam, e é por isso que, atarantados, dizem hoje uma coisa, amanhã outra. Num dia o Santo Graal, noutro um asqueroso caneco de lata.
Hipótese B – percebem bem de mais o que dizem, sabem perfeitamente ao que andam, mas o descaramento chega e sobra para todas as piruetas porque confiam descansadamente na enternecedora falta de memória da maioria do pessoal, e na tendência patológica da galera para acreditar na primeira treta engravatada que lhe meterem à frente do nariz.

Não sei qual das duas é mais assustadora.

Amanhã, bem cedo, vou bater à porta da embaixada da Suécia e peço uns impressos para emigrar.