quinta-feira, 14 de julho de 2011

Aulas práticas sobre voto útil: equidade social na austeridade

Foi com todo o descaramento que Vítor Gaspar apareceu hoje a explicar a medida que o Governo anunciou como um corte no subsídio de Natal mas que é, afinal, um agravamento do imposto sobre o rendimento das famílias. Confirmou-se o anúncio de uma medida sem estudo prévio, nem sequer quanto ao montante arrecadado: os 800 milhões anunciados eram, afinal, 1025 milhões, se é que as contas foram bem feitas. Nem uma palavra sobre a mais do que previsível vaga de encerramentos de estabelecimentos comerciais logo a seguir à época de saldos de Verão. E toda a naturalidade no anúncio da previsão de 185, milhões a pagar por centenas de milhar de precários que não têm direito a subsídio de Natal. Nas palavras do Ministro, “equidade social na austeridade”.


E, se sobre responsabilidade e competência ficámos esclarecidos, quanto a repartição equitativa dos sacrifícios ficámos ainda a saber que as empresas, por mais lucrativas que sejam, têm um tratamento em sede deste agravamento extraordinário igual ao das famílias mais pobres entre as mais pobres e do Américo Amorim especulador bolsista melhor sucedido: pagarão ZERO. Diz o senhor Ministro que às empresas já lhes foi agravada a carga fiscal em 2,5% em sede de IRC e a título permanente, argumento que não valeu para isentar os funcionários públicos do novo imposto extraordinário, apesar do anterior Governo os ter isentado do recebimento de um subsídio de Natal (ou mais) na totalidade. Silêncio sobre a manutenção da classe especuladora à margem do imposto. Na sua vez, o Ministro realçou que metade das pessoas abrangidas pelo imposto extraordinário pagará menos de 150 euros e que 22 por cento não pagará mais do que 50 euros. Na sua vez a pagar, quis dizer: 150 euros não é nada para uma família que vive com 600 euros, mas faz toda a diferença para uma empresa que lucra milhões, para um especulador que enriqueça no jogo da bolsa ou um detentor de uma grande fortuna que viva dos juros dos seus depósitos. Esses não pagam nem 150, nem merda nenhuma. Têm que ser poupados a tudo o que for possível para terem dinheiro para a privatização da água e outras sortes grandes a distribuir por quem já é rico e quer viver à sombra de uma renda a cobrar a quem pagou do seu bolso - e continua a pagar - o que estes afortunados comprarão a preço de saldo.

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