quarta-feira, 20 de julho de 2011

Aquela minudência chamada realidade

Salários a minguar e relações laborais cada vez mais instáveis não se dão bem com o cumprimento mensal das obrigações de créditos contraídos para a compra de habitação a liquidar ao longo de períodos de duas e mais décadas. Evidência desta incompatibilidade, nos primeiros seis meses do ano, houve 3060 imóveis que foram devolvidos aos bancos, ou por incapacidade de pagamento das obrigações respectivas no presente, ou porque a antecipação dessa mesma incapacidade se reflectiu numa quebra abrupta na procura no mercado imobiliário.


E como é que o poder político responde a esta realidade? Embaratecendo os despedimentos, ou seja, tornando ainda mais instáveis relações laborais já demasiadamente instáveis à partida e, dessa forma, facilitando a substituição de trabalhadores que aufiram salários mais elevados por outros que se sujeitem a desempenhar as mesmas funções recebendo um salário tendencialmente mínimo: o número de pessoas a receber o salário mínimo nacional em Portugal praticamente duplicou desde 2006 e mais do que duplicou entre os licenciados. Diante de um problema, a resposta política é, assim, não uma tentativa de contrariar a evolução negativa das variáveis que o determinam, é antes a de um esforço para lhes reforçar a tendência de partida. O liberalismo é assim. Superior a essa minudência chamada realidade.

Sem comentários: