quinta-feira, 2 de junho de 2011

A verdade, cem omissões e mil mentiras, em votos

Durante a campanha eleitoral, no debate com o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, o primeiro-ministro disse que apenas irá aceitar uma descida “pequena” e “gradual” da TSU, salientando que essa medida está ainda “em estudo”. Contudo, no memorando assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – o chamado Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, que só hoje foi divulgado –, o Executivo comprometeu-se com uma “redução significativa da contribuição das empresas para a Segurança Social” ("major reduction", no original), conforme referiu Louçã com bastante insistência.


Uma breve observação para sublinhar que as sondagens teimam em mostrar como uma mentira dita por um engenheiro formado ao Domingo e viciado em mentir vale muitíssimos mais votos do que mil verdades ditas por alguém que, para além de não se lhe conhecer uma única mentira, é ainda um reputadíssimo economista de renome mundial. E isto já para não falar no campeão das preferências do povo maravilhoso deste país, outro alguém também viciado em dizer de manhã o que desdiz à tarde, que compensa a experiência que não tem nem como Presidente de Junta com a facilidade com que sempre se ajoelha diante dos mais fortes e com os sacrifícios que reserva para os mais fracos, quando não lhes promete o contrário. A este par de jarras junta-se um terceiro nas preferências, um farsolas que agora anda para aí de cravo na mão a disfarçar o nojo que lhe causa o cheiro a suor dos mais pobres e uma vocação inata para negócios manhosos.


Estes três ídolos da Nação andam pelo país a caçar votos com as palavras ocas que preenchem o tempo que a honestidade que não têm mandaria ocupar com a explicação detalhada do cardápio de malvadezes que acordaram administrar, depois das eleições, a quem vive do seu trabalho. Ocupam-se com a ocultação das mais do que previsíveis consequências desastrosas a muito curto prazo. E disfarçam o que não querem que seja ouvido com as larachas que vão trocando entre si. Mas está à vista que resulta.


E como resulta. Resulta mesmo. O outro é que mente, embora sempre se confirme o que diz. O outro não apresenta soluções, por mais soluções que apresente. O outro é um radical, por mais radicais que sejam as perdas de direitos e de salários, por maiores que sejam os roubos, por mais descarados que sejam os negócios e as vendas ao desbarato de recursos que são de todos, por mais brutal que seja o desmantelamento de serviços públicos, todos os anteriores, que os favoritos apadrinhem.


O país está mal? Pois está. Estranho seria se estivesse bem. E mais ainda será se não ficar pior. Antes, porém, temos o Domingo. Cada um que faça a sua parte. E que não deixe de fazê-lo na ilusão de que não vale a pena. Vale sempre. Na Segunda-feira, há-de continuar a valer a pena querer mudar. Para melhor.

3 comentários:

Filipe Tourais disse...

Verifico agora que Louçã desapareceu da notícia. Quando li, fiz copy e paste no texto do post. Estava exactamente igual ao texto que aparece com o sublinhado da hiperligação. Agora, está assim: "Essa medida constava já da versão preliminar do acordo com o FMI mas, durante a campanha eleitoral, o primeiro-ministro disse que apenas irá aceitar uma descida “pequena” e “gradual” da TSU, salientando que essa medida está ainda “em estudo”.

Contudo, no memorando assinado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – o chamado Memorando de Políticas Económicas e Financeiras, que só hoje foi divulgado – o Executivo comprometeu-se com uma “redução significativa da contribuição das empresas para a Segurança Social” ("major reduction", no original).
"

a.marques disse...

RAPAZOLA
O Snr Sócrates é um alarmante pirómano ainda á solta. Sabendo que vai ser rotundamente rejeitado, tudo tem feito para armadilhar o que resta do País e prejudicar o desempenho de quem vier a seguir, que terá que arcar com tão visível e descarada sabotagem. A cena da ocultação das fulminantes medidas introduzidas no acordo 2, são reveladoras da mais infame, inaceitável e asquerosa má fé. Sabe-se agora de um acordo 3 que põe totalmente a nu a verdadeira dimensão de uma fraude de contornos mafiosos . Depois da pouca vergonha dos pec´s 1, 2, 3 e 4, temos agora os limites da vigarice intolerável com as troikas 1, 2 e 3 no esconderijo da sabujice. Isto obriga a constituir um caso de polícia que deve ser também exemplarmente responsabilizado criminalmente. Se esta corja se safar fica caminho aberto para qualquer vulgar cidadão se dedicar ao gamanço sem temer quaisquer tipo de consequências. Abuso de confiança grave intensificado com reincidências premeditadas. O rapazola pensará que está a esconder a bola de trapos no recreio da primária?

Filipe Tourais disse...

Mas acredita-se que os outros dois não sabiam? Eu não.