domingo, 5 de junho de 2011

Um estudo para mostrar ao ajoelhado

Os europeus do Sul trabalham mais e durante mais tempo que os alemães, de acordo com um estudo baseado em dados da OCDE e Eurostat. Os números contrariam, assim, as declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, que apontou um eventual laxismo social em Portugal, Espanha e Grécia, às quais, recorde-se, Pedro Passos Coelho respondeu com prontidão e subserviência oferecendo-se para diminuir férias e feriados.


De acordo com números da OCDE divulgados em 2010, a duração anual média do trabalho de um alemão (1390 horas) é muito inferior à de um grego (2119 horas), de um italiano (1773 horas), de um português (1719 horas), de um espanhol (1654 horas) ou de um francês (1554 horas). Franceses e alemães são dos que trabalham menos horas.


Os números mostram, assim, que apesar de a idade legal de reforma na Alemanha ser mais elevada (65 anos), os portugueses e espanhóis trabalham, na prática, mais tempo, com uma idade efetiva de início da reforma de 62,6 anos e 62,3 anos, contra 62,2 anos para os alemães. (daqui).


Se dividirmos o número de horas trabalhadas pelo salário médio, verificamos que Portugal tem um dos valores mais elevados da UE. Para nos aproximarmos da média, precisamos de ganhar mais e trabalhar menos e não de menos feriados e menos férias. Para que tal se tornasse possível, porém, seria necessário um Governo liderado por alguém com alguma estatura. E nem era preciso que fosse uma estatura por aí além. Bastaria que andasse de pé e não sempre ajoelhado

5 comentários:

Anónimo disse...

Nem mais. E povo que eleja ou deixe eleger governantes que sempre se ajoelham é um povo que se condena a viver curvado e de mão estendida. Quando um governante se verga, não é apenas o próprio e sim todo o povo que representa que se ajoelha.

Luís disse...

A maioria de nos tem um emprego em que está la mais horas, a minoria trabalha para alimentar este estado e os outros todos do "estado social". Basicamente somos muito pouco produtivos no tempo que trabalhamos.

Filipe Tourais disse...

Subscrevo, anónimo.

Quanto ao Luís, diz isso com base em quê? Achar por achar... resvalamos para o reino dos palpites. O nosso VAB é menor, se quiser ir por aí, tudo bem. Já não estamos no acho. Mas isso tem que ver com a aposta no trabalho intensivo e na baixa incorporação de tecnologia: se baixarmos salários estamos a perpetuar o atraso, não a estimular a produtividade.

Anónimo disse...

A maioria dos empregos em Portugal são não produtivos, desde o funcionário da empresa de construção que faz estradas onde quase ninguém vai circular, apenas porque o governo abriu um concurso à medida para poder entregar milhões ao amigos, passando por boa parte dos funcionários do estado que apenas ocupam cargos criados para colmatar necessidades criadas pelo excesso de burocracia até aos inúmeros empregos nos serviços destinados a fornecer luxos aos beneficiários do clientelismo etc etc. No fim de contas os portugueses trabalham muito e produzem pouco porque grande parte deles são contratados para servirem os que têm muito. As desigualdades favorecem a criação do emprego inútil que prolifera em Portugal. Portugal, enquanto país, consome mais do que produz porque o trabalho não é direccionado para os sectores produtivos. Quem vê de fora, vê o país como um todo, e desse ponto de vista este é um país de galinhas que esgravetam o dia todo à procura de comida mas no final do dia ainda é preciso dar-lhes milho.

Filipe Tourais disse...

O anónimo confunde opções políticas erradas com empregos não produtivos. As auto-estradas lá estão, produzidas, e os serviços públicos também para mostrar que há trabalho feito.