quarta-feira, 1 de junho de 2011

Os bancos são nossos amigos

O Estado português endividou-se hoje em 850 milhões de euros nos mercados financeiros, pagando uma taxa de juro média de quase cinco por cento e sem reunir todo o montante que pretendia. O Governo prefere continuar a financiar-se nos mercados e pagar a liquidez muito mais cara a aumentar a remuneração dos certificados de aforro. A explicação é mais do que óbvia: se a taxa de juro dos certificados de aforro fosse aumentada, quem ficaria a perder seria todo o sector financeiro, uma vez que os bancos seriam obrigados a aumentar a remuneração dos produtos que oferecem aos seus clientes. Caso contrário, perderiam clientes para o concorrente estatal que, estando nas mãos de quem está, faz-lhes o favor de não concorrer. Mais uma vez, quer enquanto aforradores, quer enquanto contribuintes,, pagamos todos para beneficiar quem já beneficiamos mais do que seria suposto.


Não será descabido recordá-lo, o voto serve para manifestar concordância ou discordância, a abstenção serve para expressar indiferença. O sector financeiro não vota, mas agradece a colaboração compreensiva de todos os que queiram juntar o seu voto aos impostos e aforros com os quais já lhes garantem uma crise fora da crise.

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