sexta-feira, 17 de junho de 2011

O génio que fugiu da penúria - paf III

Não era minha intenção comentar nenhum dos nomes da equipa governativa que hoje foi anunciada. Não há políticas sem dinheiro e, para além de não haver dinheiro, como toda a gente sabe, as políticas foram ditadas de fora, pelo que pouca diferença farão os nomes. Mas Bagão Félix inspirou-me.


Há pedaço, sobre o elenco governativo, no exercício daquele comentário sempre isento, ouvi o nosso Bagão dizer aos microfones da rádio pública que é tudo gente séria e muito competente. E escolheu precisamente o super-herói Paulo Macedo para primeiro da lista que a seguir debitou. O tal, recorde-se, que se pirou a tempo, antes que o seu nome aparecesse nos jornais como o pai do entupimento dos Tribunais que resultou da sua obra-prima cobranças fiscais automáticas, a coberto de um argumento que incompatibilizava o preço de mercado de tanta genialidade concentrada numa pessoa só com a exiguidade de um salário superior ao de cinco ministros juntos. O Estado é cá uma chatice.


E, paf, lá saltou para o BCP. Ou, melhor, a vida de miséria que o seu salário podia comprar obrigou-o a saltar.


Agora, paf, volta a saltar para o Estado. Para surpresa geral, para a Saúde. Mas não para surpresa do meu muso Bagão, que teve a amabilidade de sublinhar que a equipa ministerial tem a grande qualidade de ter sido escolhida fora dos grandes interesses instalados. No meio destes pafs da banda sonora de “O génio que fugiu da penúria”, hei-de ter perdido a notícia de que a Medis deixou de pertencer ao BCP de onde vem o nosso super-herói do paga-e-não-bufes.


Afasto maus pensamentos. Paulo Macedo volta à casa materna resignado a receber um quinto do salário que antes já pecava por ser uma miséria espartana. A Medis não ganhará nada em tê-lo como ministro. E, porque a Medis não ganhará nada, não terá nenhuma razão para lhe pagar uns cafezitos a título de prémio por ter deixado de gostar de dinheiro. Que também não teria mal nenhum se pagasse, dadas as dificuldades da vida que a escolha acarretará. O génio que fugiu da penúria regressa para nos tratar da Saúde.

2 comentários:

josé manuel faria disse...

Com a saúde não se brinca. Paulo Macedo vai triturar o SNS

Anónimo disse...

Uma Jurista para o Ambiente e Agricultura e Território, um Banqueiro para a Saúde, um Conselheiro da Comissão Europeia que gastou 8 Milhões em Festas para as Finanças, desaparecimento do Ministério da Cultura.
O país deve estar orgulhoso da sua escolha, ou por ter deixado quem escolhesse por si.